Letícia Gonçalves (Interina)
Conhecido por não ter papas na língua, o presidenciável Ciro Gomes, do PDT, tem como um dos alvos preferenciais o MDB. Já apregoou que, em um eventual governo pedetista “a quadrilha” não teria lugar. Mais recentemente, propôs que o MDB seja “destruído” por meio do “mecanismo democrático”. “Basta cortar a torneira da roubalheira que eles entram em extinção”, sugeriu Ciro.
Desnecessário desfiar aqui o novelo de casos de corrupção envolvendo o partido. De Eduardo Cunha a Michel Temer são vários os exemplos. A legenda é, na verdade, uma colcha de retalhos formada por caciques políticos ao redor do país e, de um jeito ou de outro, acaba aderindo ao governo da ocasião.
Mas, enquanto demoniza o MDB, Ciro flerta com ... o PP! Destaque em meio ao centrão na Câmara, o PP ensaia para ser o novo MDB. Após a janela de trocas partidárias passou a ser a segunda maior bancada da Câmara e já tem um pé-de-meia feito com economias do fundo partidário para garantir uma campanha mais robusta este ano. No quesito Lava Jato também não faz feio (ironia mode on), é uma das legendas com o maior número de investigados.
A direção nacional do partido é conhecida pelo pragmatismo. Não entra para perder. Assim, talvez o presidente do PP, Ciro Nogueira, não tenha ficado muito animado com a visita de outro pré-candidato à Presidência da República, Geraldo Alckmin, em maio. O tucano foi ao Piauí e aproveitou para fazer um afago no líder dos progressistas, mas segue com baixos percentuais de intenção de voto nas pesquisas eleitorais. É provável que o PP aposte mais em Ciro Gomes. Tem até a oferecer o empresário Benjamin Steinbruch para ocupar o lugar de vice na chapa do pedetista.
O problema é que, como já mencionado, Ciro, o Gomes, não é de meias palavras e às vezes comete certo sincericídio. Ele já admitiu, por exemplo, formar aliança com o PP e até com o DEM. Mas desde que antes seja fechado um acordo com PSB e PCdoB para garantir “a hegemonia moral e intelectual” de uma eventual frente eleitoral. Careceriam então o DEM e o PP de aspectos morais e intelectuais? Essa questão, que ficou no ar, causou, por óbvio, certo constrangimento.
E o PSB – noiva da pré-campanha desde a desistência do ex-ministro do Supremo Joaquim Barbosa – passa a ser a aliança prioritária.
O PP, entretanto, segue na área. Se obtiver êxito em se firmar no Congresso, pode ser uma das ou a sigla a garantir a malfadada governabilidade. Seja Ciro ou qualquer outro (ou outra) a comandar o Executivo federal em 2019, o partido pode ser imprescindível para votações na Câmara. Há, no entanto, a perspectiva de que a fragmentação das bancadas aumente como resultado da eleição deste ano.
Mas já esquecemos do MDB, do qual falávamos inicialmente e do qual o pedetista se recorda com frequência? Não. Vamos até lembrar que Ciro já foi filiado ao então PMDB (de 1983 a 1988). O PDT é o sétimo partido dele. Aliás, o deputado federal Jair Bolsonaro, hoje no PSL, também já passou por diversos partidos e, de 2005 a 2016, esteve nos quadros do... PP.
Chega de digressões. Voltemos à questão MDB-PP. Outra coincidência é que os dois partidos tiraram o “P” do nome. A mudança do PMDB já foi autorizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A do PP, ainda não, mas a agremiação já se apresenta apenas como Progressistas. Seria preciso, no entanto, mais do que alterações semânticas – ou arroubos semânticos – para mudar o estado de coisas da política brasileira.
“Desexpulso”
O vereador Fabão da Habitação, suplente de Neidia Pimentel na Serra, não será mais expulso do PSD. O presidente municipal da legenda, Flavio Serri, diz que esse é um sinal em prol da “pacificação” da Câmara.
Sem paz e amor
O clima na Casa entre o grupo aliado ao prefeito Audifax Barcelos e o ligado ao presidente da Casa, Rodrigo Caldeira, no entanto, segue tenso. “Teve até um acirramento. Agora tem até ameaças ao prefeito, de que podem cassar o mandato dele, fazer CPI. O Rodrigo (Caldeira) se meteu com um grupo que optou por esticar a corda”, diz o líder do próprio Audifax na Casa, Luiz Carlos Moreira.
Recesso normal
Apresentada em 2016, PEC do deputado Nunes previa que, em ano eleitoral, o recesso de julho da Assembleia Legislativa seja transferido para os 15 dias anteriores à data do primeiro turno das eleições. A proposta não saiu do papel.
Vedação
Como a coluna registrou no final de maio, o presidente do Tribunal de Justiça, Sérgio Gama, não nomeou 14 aprovados no concurso para juiz substituto e o prazo expirou. “Foi muita tristeza para mim, mas tinha vedação orçamentária e financeira e fui notificado na véspera pelo Tribunal de Contas me dizendo que eu não poderia de forma alguma fazer a nomeação”, conta Gama.
“Por que não eu?”
Os servidores do Judiciário, no entanto, pleiteiam o reajuste de 5% dado a funcionários dos demais Poderes. A campanha tem até o mote “Por que não eu?”. “Parece que já estão pleiteando judicialmente e a Justiça vai decidir. Não quero entrar no mérito, mas não temos orçamento para isso. Tenho contado com a compreensão dos servidores”, afirma o presidente do TJ.