Publicado em 17 de março de 2026 às 14:16
Caracterizado pelo surgimento de manchas brancas na pele, o vitiligo é uma doença dermatológica que ainda desperta muitas dúvidas. Estimativas indicam que a condição afeta entre0,5% e 2% da população mundial. No Brasil, cerca de0,5% da população convive com a doença, o que representa aproximadamente1 milhão de pessoas, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). >
O vitiligo ocorre quando há redução ou destruição dos melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina — pigmento que dá cor à pele. Como consequência, surgem áreas despigmentadas que podem aparecer em diferentes regiões do corpo. >
Estudos científicos indicam que o vitiligo possui origem multifatorial, envolvendo fatores genéticos , imunológicos e ambientais. Pesquisas publicadas na revista científica Nature Genetics identificaram dezenas de variantes genéticas associadas à doença, muitas delas relacionadas ao funcionamento do sistema imunológico e à regulação dos melanócitos. >
O estudo “ Genome-wide association studies of autoimmune vitiligo identify 23 new risk loci and highlight key pathways and regulatory variants “, analisou 4.680 casos e 39.586 controles e identificou 23 novos loci genéticos associados ao vitiligo. “Acredita-se que o vitiligo esteja associado a um processo autoimune, no qual o próprio sistema imunológico passa a atacar os melanócitos. Esse mecanismo explica por que a doença pode surgir mesmo sem histórico familiar aparente”, explica a dermatologista Dra. Luísa Juliatto, do Alta Diagnósticos. >
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A genética pode aumentar a predisposição ao desenvolvimento da doença, mas não é o único fator envolvido. “A genética pode contribuir para a predisposição ao vitiligo, mas não determina sozinha o surgimento da condição. Fatores ambientais, imunológicos e até emocionais também podem influenciar”, afirma Ricardo Di Lazzaro, médico doutor em genética e fundador da Genera, marca da Dasa. >
Embora o vitiligo não cause danos diretos à saúde física, ele pode aumentar a sensibilidade ao sol nas áreas afetadas e impactar a autoestima de quem convive com a condição. Além disso, mesmo sendo relativamente comum, a doença ainda é cercada por desinformação. Confira alguns mitos e verdades. >
Mito. A doença não é transmissível por contato físico , convivência ou compartilhamento de objetos. >
Mito. As duas condições são completamente diferentes e possuem causas e tratamentos distintos. >
Verdade. A ausência de melanina deixa a pele mais sensível à radiação solar, tornando o uso de protetor solar essencial. >
Verdade. Dados disponíveis na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) indicam que cerca de30% dos pacientes apresentam histórico familiar da doença. >
Mito. Ter predisposição genética não significa que a doença será obrigatoriamente transmitida entre gerações. >
Mito. A doença pode surgir em qualquer fase da vida, inclusive na infância. >
Verdade. O acompanhamento com dermatologista é fundamental para avaliar as opções de tratamento mais adequadas para cada caso. >
Além do acompanhamento médico, especialistas ressaltam a importância de combater a desinformação sobre a doença. “O vitiligo não deve ser associado a preconceitos ou estigmas. Informação e conscientização são fundamentais para reduzir o impacto social da condição”, conclui a dermatologista. >
Por Mariana Bego >
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