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Se cuida

Veja como lidar com o luto nas festas de fim de ano

Psicólogo destaca por que é tão difícil celebrar quando se passa por uma perda e dá dicas para cuidar da saúde emocional

Publicado em 19 de Dezembro de 2025 às 16:04

Portal Edicase

Publicado em 

19 dez 2025 às 16:04
O luto pode se tornar mais pesado durante as festas de fim de ano (Imagem: PeopleImages | Shutterstock)
O luto pode se tornar mais pesado durante as festas de fim de ano Crédito: Imagem: PeopleImages | Shutterstock
As festas de fim de ano costumam ser sinônimo de celebração, reencontros e alegria. No entanto, para quem está vivenciando o luto pela perda de alguém querido, esse período pode se tornar especialmente desafiador. A pressão social para demonstrar felicidade, somada às memórias e à ausência da pessoa amada, intensifica o sofrimento emocional e torna ainda mais difícil atravessar datas como Natal e Ano-Novo.
Segundo Marco Aurélio Fernandes, psicólogo e coordenador do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera, é fundamental compreender que não existe uma forma “certa” de viver o luto, especialmente em datas simbólicas. “As festas costumam reforçar a ideia de felicidade obrigatória, o que pode gerar ainda mais sofrimento em quem está enlutado. Respeitar os próprios sentimentos é um passo importante para atravessar esse período com mais equilíbrio”, explica.

O impacto do luto no funcionamento do cérebro

O psicólogo destaca por que é tão difícil celebrar quando se passa por uma perda. “Durante o luto, o cérebro passa por um processo intenso de adaptação à ausência, ativando áreas ligadas à memória, ao apego e às emoções, como o sistema límbico, enquanto há redução temporária da atividade em regiões responsáveis pelo foco, pela tomada de decisões e pelo controle emocional”, esclarece.
Esse processo neurobiológico ajuda a explicar por que pessoas enlutadas podem apresentar mudanças significativas no funcionamento cotidiano, com impacto direto no comportamento, no bem-estar e na forma de vivenciar datas simbólicas.
“A ausência da pessoa perdida desafia os circuitos cerebrais que estavam acostumados à sua presença, o que explica sensações como confusão, dificuldade de concentração, alterações no sono, na memória e no apetite, além de uma resposta prolongada ao estresse, com maior liberação de hormônios como o cortisol. Esse funcionamento não é sinal de fraqueza, mas uma reação natural do cérebro tentando reorganizar-se diante de uma mudança profunda e significativa”, afirma Marco Aurélio Fernandes.

Como passar as festas durante o luto

De acordo com psicólogo, algumas atitudes podem ajudar quem está passando pelo luto no Natal e no Ano-Novo:
  • Permitir-se sentir, sem culpa, tristeza, saudade ou silêncio;
  • Adaptar rituais, criando novas formas de vivenciar as datas;
  • Estar perto de pessoas que ofereçam escuta e acolhimento, mesmo que em encontros breves;
  • Buscar apoio psicológico quando a dor se tornar difícil de administrar sozinho.
“O cuidado emocional nesse período passa por pequenas escolhas. Às vezes, ficar em casa, viajar ou passar o dia de forma mais reservada é a melhor decisão”, orienta.
Oferecer presença, escuta e respeito é uma das formas mais importantes de apoiar alguém que está passando pelo luto (Imagem: SeventyFour | Shutterstock)
Oferecer presença, escuta e respeito é uma das formas mais importantes de apoiar alguém que está passando pelo luto Crédito: Imagem: SeventyFour | Shutterstock

Como ajudar quem está passando pelo luto

Para familiares e amigos, Marco Aurélio Fernandes reforça a importância da empatia. “Evite frases prontas como ‘seja forte’ ou ‘ele(a) gostaria de te ver feliz’. O mais importante é oferecer presença, escuta e respeito. Perguntar como a pessoa gostaria de passar a data já é uma grande forma de apoio”, destaca.
O especialista também alerta que o luto pode reaparecer mesmo após anos da perda. “Datas comemorativas funcionam como gatilhos emocionais. Acolher sem julgamento e sem pressa é essencial”, completa.

Cuidado que vai além das festas

Se os sentimentos de tristeza, isolamento ou desesperança se intensificarem, buscar ajuda profissional é fundamental. “O acompanhamento psicológico ajuda a ressignificar a perda e a encontrar formas mais saudáveis de conviver com a ausência, não apenas durante as festas, mas ao longo do tempo”, conclui o psicólogo.
Por Camila Crepaldi
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