Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 14:31
A malformação de orelha é uma condição congênita em que essa estrutura anatômica externa não se desenvolve da forma esperada. Ela pode variar desde alterações leves no formato até casos mais complexos, como a microtia, em que a orelha é parcialmente formada ou ausente. Apesar de ser percebida logo ao nascimento, nem sempre essa diferença representa um problema funcional ou exige intervenção imediata. >
Em muitos casos, a principal dúvida das famílias não está relacionada à audição ou à saúde da criança, mas à aparência e ao impacto social que essa diferença pode causar ao longo do crescimento. Por isso, o tratamento das malformações de orelha não segue um protocolo único e precisa considerar fatores médicos, emocionais e o momento de vida do paciente. >
Estudos científicos ajudam a sustentar essa condução mais cuidadosa. A pesquisa “A 10-Year Retrospective Review of the Nonsurgical Treatment of Infant Ear Anomalies” , publicada na revista científica Plastic and Reconstructive Surgery Global Open , analisou 246 pacientes com malformações auriculares e mostrou que a moldagem precoce da orelha apresentou taxa de sucesso de 92%, especialmente quando iniciada nas primeiras semanas de vida. >
O estudo destaca que diagnóstico e acompanhamento adequados são fundamentais para bons resultados estéticos e funcionais, mas também ressalta a importância do apoio familiar e do acompanhamento psicológico nos casos em que a cirurgia não é necessária. >
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Segundo a Dra. Clarice Abreu, que tem mais de 20 anos de experiência em cirurgia plástica e craniomaxilofacial, nem toda criança com malformação de orelha precisa de cirurgia imediata. “Algumas convivem muito bem com sua aparência e crescem confiantes, especialmente quando recebem apoio da família e vivem em ambientes acolhedores”, explica. >
A médica atua em reconstruções craniofaciais de alta complexidade e defende uma abordagem que una precisão técnica e sensibilidade humana, com foco em devolver função, autoestima e qualidade de vida ao paciente ao longo de seu desenvolvimento. >
Em outros contextos, porém, o incômodo pode surgir com o tempo. Comentários externos, dificuldades de socialização ou o próprio desejo da criança de mudar a aparência podem pesar. “Quando há sofrimento emocional, vergonha, isolamento ou queda de autoestima, esses sinais precisam ser observados com atenção. A cirurgia pode ser feita com segurança no tempo certo, mas também é válido não operar se a criança estiver feliz assim”, afirma a Dra. Clarice Abreu. >
A decisão de intervir deve respeitar o ritmo e o desejo do paciente. Para a especialista, o papel da família é oferecer amor, apoio e informação, sem pressa ou cobrança estética. “O mais importante é garantir que a escolha seja consciente e tranquila. Cada jornada é única, e o tempo da criança precisa ser respeitado”, destaca. >
Em alguns casos, o tratamento da malformação de orelha pode ser realizado ainda na infância, quando a estrutura da cartilagem permite resultados mais previsíveis. Em outros, o ideal é aguardar o crescimento para que uma eventual reconstrução traga harmonia facial definitiva. A ausência de tratamento imediato, no entanto, não significa abandono. Muitas pessoas convivem bem com a diferença e se tornam adultos seguros e satisfeitos com a aparência. >
Ao longo desse processo, o acompanhamento psicológico pode ser um aliado importante, tanto para a criança quanto para a família. “Mais do que uma questão estética, estamos falando de identidade. O paciente precisa se sentir visto , compreendido e apoiado”, diz a Dra. Clarice Abreu. Para ela, o verdadeiro sucesso de qualquer tratamento não está apenas no resultado técnico, mas na serenidade de quem teve espaço para escolher o próprio caminho. >
Por Eluan Carlos Hoffmann >
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