Publicado em 25 de fevereiro de 2026 às 16:29
Ondas de calor, alterações hormonais, insônia, ressecamento vaginal. Esses sintomas são os mais conhecidos quando se fala em menopausa. No entanto, para muitas mulheres, o maior impacto não é apenas físico, mas também emocional. A queda do desejo sexual, muitas vezes vista como um processo natural, envolve questões profundas de identidade, autoestima e percepção de si mesma. >
Segundo a psicóloga Dra. Cristiane Pertusi, especialista em comportamento feminino e relações afetivas, a sexualidade nessa fase é atravessada por camadas subjetivas e emocionais que vão além das alterações hormonais. “O desejo da mulher é influenciado por tudo que ela viveu, sentiu e acreditou sobre si mesma ao longo dos anos. Na menopausa, esse histórico vem à tona”, afirma. >
A profissional explica que a fase pode funcionar como um espelho emocional. É comum que mulheres passem a sentir inseguranças em relação ao próprio corpo, questionem seu valor dentro das relações e enfrentem sentimentos de invisibilidade. “Quando a mulher passa a acreditar que deixou de ser desejável, a libido sofre. O impacto não é apenas fisiológico”, diz. >
Essas percepções se refletem em dados clínicos. Segundo o SWAN ( Study of Women’s Health Across the Nation ), um dos principais estudos mundiais sobre saúde feminina na meia-idade, 52,4% das mulheres naturalmente menopausadas relataram diminuição do desejo sexual, contra 26,7% na pré-menopausa. >
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Outros estudos publicados no Journal of Women’s Health apontam que entre 40% e 55% das mulheres enfrentam queda no desejo, 25% a 30% têm dificuldade de lubrificação, e até 45% relatam dor durante a relação sexual. Apesar disso, 76% seguem considerando o sexo uma parte importante da vida, mesmo com os desafios impostos pelo corpo e pela cultura. >
Muitas mulheres chegam à menopausa com uma trajetória de repressão sexual. Foram educadas para cuidar, atender, se adaptar. O prazer , em muitos casos, foi vivido com culpa ou se restringiu às expectativas do parceiro. “Essa história deixa marcas. E quando o corpo começa a mudar, essas feridas emocionais voltam à superfície”, diz a Dra. Cristiane Pertusi. >
Ela destaca ainda a pressão estética, que reforça a ideia de que o valor da mulher está associado à juventude. “Ao se ver fora dos padrões impostos, muitas internalizam o pensamento de que não são mais atraentes. Isso interfere diretamente na autoestima e na relação com o próprio corpo”, afirma. >
A forma como a mulher vive sua sexualidade na menopausa também depende das relações que a cercam. Em muitos casos, os parceiros não acompanham o processo emocional da mulher, o que gera afastamentos e conflitos. “Relações frágeis podem se romper nesse período. Mas há quem encontre uma nova forma de viver a intimidade, com mais conexão e verdade”, explica. >
Os tratamentos médicos são importantes, mas precisam caminhar ao lado do acolhimento emocional. A mulher precisa ser vista de forma integral. A menopausa é um momento de virada, em que ela pode resgatar o próprio corpo, rever crenças antigas e viver o prazer com mais liberdade e consciência. >
Abaixo, confira algumas dicas que ajudam a lidar com as mudanças na sexualidade na menopausa: >
Criar uma nova relação com o corpo é fundamental. Isso pode incluir atividades como dança, alongamento, massagem e até momentos de autocuidado em silêncio. O foco não está na performance, mas na reconexão com as sensações. >
Muitas ideias sobre o que “deveria ser” o sexo são aprendidas e nem sempre verdadeiras. A menopausa pode ser um convite para desconstruir padrões e explorar o que faz sentido hoje, com liberdade. >
A intimidade emocional é tão importante quanto a física. Falar sobre o que mudou, sobre medos e desejos , pode fortalecer vínculos. E, quando não há um parceiro, é o momento ideal para refletir sobre seus próprios limites, vontades e descobertas. >
A psicoterapia pode ser um espaço seguro para lidar com angústias, inseguranças e questões não resolvidas. Para sintomas físicos mais intensos, o acompanhamento médico especializado é essencial. >
Muitas mulheres carregam culpas, silenciamentos e dores que atravessaram décadas. Olhar para isso com compaixão é um ato de liberdade. A sexualidade não se encerra com a menopausa. Ela apenas ganha novos contornos, mais íntimos e verdadeiros. >
Por Juliana Macedo >
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