Algumas pessoas costumam mastigar sempre do mesmo lado da boca. Embora essa preferência possa passar despercebida, utilizar apenas um lado frequentemente pode alterar a distribuição das forças da mastigação, sobrecarregar músculos e articulações e favorecer o desgaste desigual dos dentes.
Segundo Manuella Lamarão, coordenadora do curso de Odontologia da Faculdade Anhanguera de Macapá, a mastigação deve permitir a participação equilibrada dos dois lados da boca. “A pessoa não precisa alternar o lado a cada movimento ou dividir a mastigação exatamente pela metade. No entanto, quando um dos lados deixa de ser utilizado de forma constante, o sistema mastigatório passa a trabalhar de maneira desequilibrada, e é importante investigar o motivo”, explica.
Como a mastigação unilateral afeta a saúde bucal
A especialista esclarece que mastigar sempre do mesmo lado pode influenciar a maneira como a força da mordida é distribuída. Com o passar do tempo, o hábito pode estar associado ao maior desgaste de determinados dentes, ao desequilíbrio dos músculos da face e a desconfortos na articulação temporomandibular, conhecida como ATM.
Entretanto, isso não significa que toda pessoa que possui um lado preferido necessariamente desenvolverá uma alteração na mordida. Os efeitos dependem de fatores como a duração e a frequência do hábito, a idade do paciente e a existência de outros problemas bucais.
Problemas que podem fazer mastigar de um lado só
Entre as causas que podem levar à mastigação unilateral, estão cáries, dentes quebrados, sensibilidade, restaurações desajustadas, ausência de dentes , próteses desconfortáveis e alterações no encaixe da mordida. Dores ou problemas na articulação da mandíbula também podem fazer com que o paciente passe a utilizar apenas o lado que considera mais confortável.
“Mastigar de um lado só pode contribuir para alterações funcionais, mas também pode ser consequência de um problema já existente. Muitas pessoas evitam determinado lado porque sentem dor, sensibilidade ou desconforto e acabam se adaptando sem perceber”, destaca Manuella Lamarão.
Em crianças e adolescentes, a atenção deve ser ainda maior. O hábito persistente pode ocorrer durante uma fase de crescimento e desenvolvimento dos ossos da face. Nesses casos, a avaliação precoce ajuda a identificar alterações funcionais e evitar que o desequilíbrio se mantenha por longos períodos.
Sinais de alerta
Dor ou cansaço ao mastigar, dificuldade para abrir a boca, travamentos, estalos acompanhados de dor, sensibilidade dentária, desgaste desigual dos dentes e percepção de mudança no encaixe da mordida são sinais que devem ser avaliados por um cirurgião-dentista.
A coordenadora alerta que não é recomendado simplesmente forçar a mastigação do lado menos utilizado antes de descobrir a origem do problema. “O primeiro passo é identificar por que aquele lado está sendo evitado. Dependendo do caso, o tratamento pode envolver restaurações, reposição de dentes ausentes, ajuste de próteses, acompanhamento ortodôntico ou cuidados específicos para a articulação temporomandibular. Forçar o lado que apresenta algum problema pode aumentar a dor e o desconforto”, orienta.
Consultas odontológicas periódicas são fundamentais para avaliar a mordida, a condição dos dentes e o funcionamento da mandíbula. Quanto mais cedo a causa da mastigação unilateral for identificada, menores são as chances de o comportamento provocar ou agravar desequilíbrios na saúde bucal.
Por Letícia Zuim Gonzalez