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Novo tratamento para Parkinson avançado é aprovado pela Anvisa

O Parkinson afeta principalmente os movimentos e provoca tremores, rigidez muscular, lentidão motora e alterações no equilíbrio

Publicado em 01 de Junho de 2026 às 14:14

Redação

Publicado em 

01 jun 2026 às 14:14
Parkinson
O Parkinson afeta principalmente os movimentos e provoca tremores e rigidez muscular shutterstock

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou um novo medicamento para pacientes com doença de Parkinson avançada no Brasil. A autorização foi publicada nesta segunda-feira (25) no Diário Oficial da União.


O tratamento combina foscarbidopa e foslevodopa, substâncias derivadas da levodopa —principal medicamento usado contra os sintomas motores da doença— e será comercializado pela AbbVie com o nome Vyalev.


Considerada a doença neurológica que mais cresce no mundo, o Parkinson teve sua prevalência dobrada nos últimos 25 anos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Hoje, mais de 8,5 milhões de pessoas vivem com a condição em todo o planeta. A estimativa é que esse número ultrapasse 25 milhões até 2050. 


No Brasil, um estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), publicado na revista The Lancet Regional Health – Americas, aponta que mais de 500 mil brasileiros com 50 anos ou mais convivem com a doença.       


O Parkinson afeta principalmente os movimentos e provoca tremores, rigidez muscular, lentidão motora e alterações no equilíbrio. Com a progressão da doença, também podem surgir sintomas não motores, como distúrbios do sono, alterações cognitivas e sofrimento emocional. 


A nova terapia combina foslevodopa e foscarbidopa. Enquanto a primeira aumenta a quantidade de dopamina — neurotransmissor cuja produção é reduzida em pessoas com Parkinson —, a segunda potencializa seu efeito. Administrado por infusão subcutânea contínua por 24 horas, o tratamento busca proporcionar maior estabilidade dos sintomas da doença.       


Segundo Márcia Rodrigues, neurologista do AME Carapicuíba, gerenciada pelo Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” (CEJAM), a chegada de novas alternativas terapêuticas representa um avanço importante, especialmente para pacientes em fases mais avançadas da doença, quando os tratamentos convencionais podem apresentar menor eficácia ao longo do tempo. 


“A doença de Parkinson é progressiva e, com os anos, muitos pacientes passam a apresentar flutuações motoras importantes, períodos de maior rigidez e dificuldade de controle dos sintomas. Quando surge uma nova opção terapêutica, ampliamos as possibilidades de individualizar o tratamento e melhorar a qualidade de vida dessas pessoas”, explica. 


A especialista destaca que, embora a nova terapia represente um avanço, ela não significa cura para a doença, reforçando a importância do acompanhamento contínuo e multidisciplinar. 


“O tratamento do Parkinson vai muito além da medicação. É fundamental que o paciente tenha acompanhamento regular com neurologista, além de suporte de fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e atenção à saúde mental. O cuidado integrado faz diferença direta na autonomia e no bem-estar”, afirma. 


Outro ponto importante, segundo a médica, é o diagnóstico precoce. Apesar de os tremores serem um dos sinais mais conhecidos, os sintomas iniciais podem surgir de maneira discreta e variar entre os pacientes. 


“Muitas pessoas associam o Parkinson apenas ao tremor, mas alterações no olfato, lentidão para realizar movimentos, mudanças na escrita, rigidez muscular e distúrbios do sono também são sinais de alerta. Quanto mais cedo ocorre o diagnóstico, maiores são as possibilidades de controle dos sintomas e planejamento terapêutico”. 


A neurologista também chama atenção para o envelhecimento da população brasileira, fator que contribui para o aumento no número de casos nos próximos anos. 


“Com o envelhecimento populacional, a tendência é observarmos um crescimento dos casos de doenças neurodegenerativas. Por isso, discutir acesso a tratamento, informação de qualidade e acompanhamento especializado é cada vez mais necessário”, conclui. 

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