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Receitas tradicionais

Milho ou amendoim: qual é a melhor opção para a saúde nas festas juninas?

Nutricionista destaca que os dois alimentos oferecem benefícios, mas alerta que o excesso de açúcar nas receitas típicas pode comprometer as vantagens nutricionais

Publicado em 19 de Junho de 2026 às 16:10

Por Redação

Publicado em 

19 jun 2026 às 16:10
Comida de festa junina
Os dois alimentos são protagonistas dos arraiais brasileiros, mas possuem características nutricionais bem diferentes. shutterstock
Com a chegada das festas juninas, uma dúvida costuma surgir entre os amantes das delícias típicas da temporada, afinal, entre milho e amendoim, qual é a opção mais saudável? Presentes em receitas tradicionais que vão da pamonha à paçoca, os dois alimentos são protagonistas dos arraiais brasileiros, mas possuem características nutricionais bem diferentes. 

Segundo Paula Macedo, nutricionista e docente do curso de Graduação em Nutrição da Faculdade Santa Marcelina, a comparação exige uma análise cuidadosa, já que milho e amendoim pertencem a grupos alimentares diferentes. Enquanto o milho é um cereal rico em carboidratos complexos, o amendoim é uma leguminosa oleaginosa, da mesma família dos feijões, reconhecida pelo elevado teor de proteínas, gorduras boas e compostos antioxidantes. 

“O amendoim apresenta uma densidade nutricional muito elevada, com proteínas de qualidade, gorduras-mono e poli-insaturadas, vitamina E e resveratrol, substâncias associadas à proteção cardiovascular e à ação antioxidante. Já o milho se destaca pelo fornecimento de energia, pelas fibras que auxiliam no funcionamento intestinal e pelos carotenoides importantes para a saúde ocular”, explica a nutricionista, que ressalta ainda que a melhor escolha depende dos objetivos individuais. 

Para pessoas que buscam ganho de massa muscular ou seguem estratégias alimentares com menor consumo de carboidratos, o amendoim pode ser mais vantajoso devido ao seu perfil proteico e lipídico. Por outro lado, o milho pode ser uma excelente alternativa para quem necessita de energia para atividades físicas ou busca maior saciedade com menor densidade calórica. 

Apesar dos benefícios nutricionais dos dois alimentos, a profissional destaca que a forma de consumo durante as festas juninas merece atenção. Isso porque, na prática, o milho costuma aparecer com mais frequência em preparações próximas de sua forma natural, como a espiga cozida, enquanto o amendoim geralmente é incorporado a receitas com grandes quantidades de açúcar, como pé de moleque e paçoca. “Do ponto de vista do comportamento alimentar, o milho leva certa vantagem porque é consumido com mais frequência em sua forma in natura. Já o amendoim costuma estar associado a preparações muito açucaradas. No entanto, quando o milho é utilizado em receitas como curau, canjica, bolos e pudins, a diferença entre eles diminui bastante”, afirma. 

A adição de ingredientes como açúcar refinado, leite condensado e manteiga modifica significativamente o perfil nutricional das receitas. Embora o amendoim preserve suas gorduras boas e o milho mantenha parte das fibras, esses benefícios não são suficientes para neutralizar os impactos metabólicos provocados pelo excesso de açúcar e gordura. 

“Esses ingredientes transformam preparações naturalmente nutritivas em alimentos altamente palatáveis, que estimulam o consumo excessivo. As fibras e os compostos bioativos ajudam a reduzir um pouco a velocidade de absorção dos açúcares, mas o resultado continua sendo uma receita com elevada carga calórica e glicêmica quando consumida em excesso”, explica. 

Para quem deseja aproveitar as festividades sem abrir mão do equilíbrio alimentar, a nutricionista recomenda priorizar preparações mais simples. Entre as opções à base de amendoim, o torrado é considerado a melhor escolha, por manter suas propriedades nutricionais sem adição de açúcar. A paçoca artesanal, preparada com menor quantidade de ingredientes industrializados, também pode ser uma alternativa mais equilibrada. Já entre os derivados do milho, a espiga cozida continua sendo a opção mais nutritiva, enquanto a pamonha salgada pode funcionar como uma refeição intermediária com menor impacto glicêmico em comparação às versões doces. 

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