A influenciadora Isabella Scherer, de 30 anos, revelou que foi diagnosticada com toxoplasmose. Ela contou que descobriu a doença quando estava com 10 semanas de gestação. Isa está grávida de 33 semanas do terceiro filho, Tom.
“Eu descobri a toxoplasmose e não tinha nem anunciado a gestação. Acho que deve ter sido por volta de 10 semanas de gestação. No primeiro exame positivo, era final do dia, saiu o resultado, eu chorava e fiquei desesperada”.
"Eu peguei muito cedo e depois fui acompanhando. Consegui detectar no exame nos 3 primeiros dias de infecção. Dei muita sorte". O desespero da influenciadora tem explicação, visto que, se não for tratada, a condição pode afetar o feto, gerando problemas oculares no bebê ou até mesmo aborto espontâneo.
A toxoplasmose é uma infecção que merece atenção, principalmente entre gestantes e pessoas com o sistema imunológico comprometido. Causada por um protozoário parasita - Toxoplasma gondii, a doença pode apresentar poucos sintomas em grande parte da população, mas, quando adquirida durante a gravidez, pode trazer riscos para o desenvolvimento do bebê.
Segundo o infectologista Lorenzo Nico Gavazza, da Bluzz Saúde, a toxoplasmose é uma infecção que pode ocorrer quando há contato com o parasita presente em alimentos, água ou ambientes contaminados.
“É causada pelo Toxoplasma gondii e, na maioria dos casos, a pessoa infectada não apresenta sintomas ou apresenta sinais leves, que podem ser confundidos com outras doenças virais, como febre, cansaço, dores no corpo, dor de cabeça e aumento dos gânglios. Porém, em situações específicas, a infecção pode evoluir de forma muito grave”, explica o médico.
A infectopediatra Rafaela Altoé, do Hospital Santa Rita, diz que na maioria das pessoas, a toxoplasmose não causa sintoma nenhum. "Quando causa, os sinais mais comuns são parecidos com os de uma gripe leve: febre baixa, cansaço, dor no corpo e gânglios (ínguas) inchados, principalmente no pescoço. Em pessoas com o sistema imunológico enfraquecido, os sintomas podem ser mais graves".
Perigos na gravidez
O Lorenzo Nico Gavazza explica que, quando a mulher contrai a toxoplasmose durante a gravidez, existe a possibilidade de transmissão para o feto. O parasita pode atravessar a placenta e atingir o bebê, causando a chamada toxoplasmose congênita.
“A preocupação com as gestantes acontece porque o parasita pode chegar ao feto e provocar complicações. Dependendo do período da gestação em que a infecção ocorre, podem surgir alterações como problemas de visão, alterações neurológicas, dificuldades no desenvolvimento e outras consequências para a saúde da criança”, destaca Lorenzo Nico Gavazza.
Por isso, o acompanhamento pré-natal é fundamental para identificar possíveis infecções e iniciar o tratamento adequado quando necessário. A gestante deve informar ao médico qualquer situação de risco ou suspeita de contato com o parasita.
“O diagnóstico é feito principalmente por exames de sangue e, quando identificada a infecção, o acompanhamento médico permite definir a melhor conduta para reduzir os riscos de transmissão e proteger a mãe e o bebê”, orienta Lorenzo Nico Gavazza.
Rafaela Altoé conta que, se a gestante se infectar pela primeira vez durante a gravidez, o parasita pode passar para o bebê através da placenta. "O risco maior é quando a infecção ocorre na gestante que nunca teve contato com o parasita antes de engravidar".
Durante a gestação, a infecção pode atravessar a placenta e afetar o feto. Isso se chama toxoplasmose congênita. "Dependendo da fase da gravidez em que a infecção acontece, o bebê pode ter problemas nos olhos, no cérebro ou em outros órgãos. Quanto mais cedo na gestação a infecção ocorre, maior a chance de complicações graves - embora a chance de transmissão para o bebê seja menor no início e maior no final da gravidez", ressalta a infectopediatra.
A transmissão
A transmissão da toxoplasmose está relacionada principalmente ao consumo de alimentos contaminados. Carnes cruas ou malpassadas, frutas e verduras sem a higienização adequada e água de origem desconhecida podem ser fontes de contaminação. O contato com solo contaminado também exige cuidados.
“É importante esclarecer que o risco não está simplesmente em ter um gato em casa. O problema está no contato com fezes de gatos infectados sem os cuidados adequados de higiene. A prevenção envolve hábitos simples, como lavar bem os alimentos, cozinhar corretamente as carnes, higienizar utensílios de cozinha e lavar as mãos após manipular alimentos crus ou ter contato com terra”, afirma Lorenzo Nico Gavazza.
Durante a gravidez, alguns cuidados devem ser redobrados. Evitar alimentos malpassados, utilizar luvas ao mexer em jardins e ter atenção com a limpeza de caixas de areia de gatos são medidas importantes para reduzir as chances de infecção.
Embora a toxoplasmose seja geralmente controlada em pessoas saudáveis, a doença pode representar riscos em grupos específicos. “Na maioria dos indivíduos com boa imunidade, a evolução costuma ser tranquila. Mas em gestantes e pessoas imunossuprimidas, o acompanhamento médico é indispensável para evitar complicações”, ressalta Lorenzo Nico Gavazza.
O tratamento depende da situação de cada paciente. Em alguns casos, pessoas saudáveis podem não precisar de medicamentos, enquanto gestantes e pacientes com maior risco podem receber terapias específicas para combater o parasita e reduzir possíveis impactos.