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Julho Verde

Câncer de cabeça e pescoço: diagnóstico tardio aumenta sequelas; veja sintomas

Lesões na boca que não cicatrizam por mais de 15 dias, rouquidão persistente, dificuldade para engolir estão entre os sintomas mais frequentes

Publicado em 20 de Julho de 2026 às 13:42

Guilherme Sillva

Publicado em 

20 jul 2026 às 13:42
Rouquidão é um dos sintomas do câncer de cabeça e pescoço
Rouquidão é um dos sintomas do câncer de cabeça e pescoço shutterstock
Uma ferida na boca que não cicatriza, rouquidão persistente ou dificuldade para engolir podem parecer sintomas comuns, mas também podem ser os primeiros sinais do câncer de cabeça e pescoço. 

O Julho Verde é o mês dedicado à conscientização sobre os cânceres de cabeça e pescoço, grupo que engloba tumores da boca, língua, laringe, faringe, cavidade nasal, seios paranasais e glândulas salivares. Apesar dos avanços na assistência oncológica, esses tumores ainda são frequentemente diagnosticados em estágios avançados.

Segundo estudo do Instituto Nacional de Câncer (INCA), cerca de 80% dos casos diagnosticados no Brasil entre 2000 e 2017 já estavam nos estágios III ou IV da doença. Entre os principais fatores de risco estão o tabagismo, o consumo excessivo de álcool e, mais recentemente, a infecção pelo HPV, associada principalmente aos tumores de orofaringe.

"Quanto mais cedo identificamos a doença, maiores são as possibilidades de tratamentos curativos e de preservação das funções do paciente. Por isso, reconhecer os sinais de alerta e buscar avaliação médica precocemente faz toda a diferença", afirma a oncologista clínica Felicia Peterson Cavalher, do A.C.Camargo Cancer Center.

De acordo com o cirurgião de cabeça e pescoço Judá Barcellos, da Rede Meridional, um dos maiores desafios é que muitos pacientes demoram a procurar atendimento médico por acreditarem que os sintomas são passageiros. "No câncer de cabeça e pescoço, o tempo faz toda a diferença. Quando a doença é identificada nas fases iniciais, as chances de sucesso no tratamento são muito maiores. Por isso, qualquer alteração que persista por mais de duas semanas merece investigação médica", destaca.

Lesões na boca que não cicatrizam por mais de 15 dias, rouquidão persistente, dificuldade para engolir, dor de garganta contínua, surgimento de nodulações no pescoço, congestão nasal persistente e diminuição da audição estão entre os sintomas mais frequentemente associados a tumores nesta região e que merecem investigação.

"Os principais sinais de alerta incluem feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão persistente, dor ou dificuldade para engolir, caroços no pescoço, dor de garganta constante e manchas brancas ou avermelhadas na boca. Esses sintomas nunca devem ser ignorados quando persistem", diz Judá. 

Entre os principais fatores de risco estão o tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e a infecção pelo HPV, especialmente nos tumores que acometem a garganta e a orofaringe. A exposição frequente ao sol sem proteção também aumenta o risco de câncer nos lábios.

A prevenção envolve hábitos saudáveis, como não fumar, evitar o consumo excessivo de álcool, manter uma boa higiene bucal, realizar consultas regulares com dentistas e médicos, utilizar protetor labial com filtro solar durante a exposição ao sol e manter a vacinação contra o HPV em dia, conforme as recomendações do calendário vacinal.

Imunoterapia: uma aliada no tratamento

Segundo a fonoaudióloga Elisabete Carrara, muitos pacientes convivem com esses sinais por semanas ou meses antes de procurar atendimento. "Alterações persistentes na voz ou não devem ser encaradas como algo normal. Quando avaliadas precocemente, aumentam as chances de um tratamento menos agressivo e de uma recuperação funcional mais completa."

A assistência a esses pacientes deve envolver equipes multidisciplinares, com atuação integrada de diferentes especialidades ao longo de toda a jornada de cuidado. "A Fonoaudiologia participa desde o planejamento terapêutico até a reabilitação. Nosso trabalho é preservar ou recuperar funções como voz, fala e deglutição, para que o paciente retome sua autonomia, suas relações sociais e sua qualidade de vida após o tratamento do câncer", destaca Carrara.

Além da importância do diagnóstico precoce, o tratamento dos tumores de cabeça e pescoço também tem avançado nos últimos anos. Com a aprovação da Anvisa, o pembrolizumabe, uma imunoterapia, passou a fazer parte do tratamento de pacientes com tumores de alto risco que podem ser removidos por cirurgia. 

O tratamento é indicado para pacientes com carcinomas escamosos de cabeça e pescoço em estágio localmente avançado, ou seja, tumores maiores ou que já atingiram os linfonodos do pescoço. Também é necessário que o tumor apresente um marcador (PD-L1) que indique maior probabilidade de resposta à imunoterapia e que o paciente tenha indicação de cirurgia. Nesses casos, a imunoterapia é administrada antes e depois do procedimento cirúrgico. Estudos mostraram que essa estratégia reduz o risco de recidiva (retorno do câncer após o tratamento), representando um avanço importante em um cenário de tratamento que permaneceu praticamente sem mudanças por cerca de 20 anos

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