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Após cirurgia

Entenda o que é o tipo de câncer de pulmão que atinge o papa Leão XIV

Entre os diferentes tipos de câncer de pulmão, o adenocarcinoma pulmonar é o mais comum

Publicado em 14 de Outubro de 2026 às 14:38

Guilherme Sillva

Publicado em 

14 out 2026 às 14:38
Papa Leão XIV, Robert Francis Prevost
Papa Leão XIV  foi diagnosticado com adenocarcinoma pulmonar DiaEsportivo/Folhapress

O Papa Leão XIV, de 71 anos, foi diagnosticado com adenocarcinoma pulmonar após ser submetido a uma cirurgia, no Hospital Gemelli, em Roma. O procedimento para retirada de um nódulo pulmonar foi concluído com sucesso, segundo o Vaticano. A alteração havia sido identificada durante exames de rotina e, de acordo com o pontífice, estava bem delimitada. 


Segundo o oncologista Ramon Andrade de Mello, entre os diferentes tipos de câncer de pulmão, o adenocarcinoma pulmonar é o mais comum. “O adenocarcinoma pulmonar é um câncer que se origina nos alvéolos e tem alta chance de metástase, além de ser uma das principais causas de mortalidade relacionadas ao câncer. Para se ter uma ideia, a sobrevida de pacientes com esse tipo de câncer é de cinco anos, mesmo com o avanço nos tratamentos, o que é insatisfatório”, explica o médico.


De acordo com o oncologista, o adenocarcinoma pulmonar é uma doença que pode apresentar características bastante diferentes entre os pacientes, o que torna essencial uma avaliação individualizada. "Embora o tabagismo seja um dos principais fatores de risco para o câncer de pulmão, o adenocarcinoma também pode ocorrer em pessoas que nunca fumaram. É um tumor que pode permanecer silencioso durante bastante tempo. Mas, quando identificado em fases iniciais, apresenta possibilidades de tratamento com intenção curativa", explica. 


A retirada cirúrgica do tumor é uma das principais opções de tratamento do câncer de pulmão em estágio inicial, especialmente quando a doença está localizada e não há evidências de disseminação para outras regiões do organismo. “Em determinados casos, principalmente quando o tumor é pequeno, está restrito ao pulmão e foi completamente removido, o procedimento pode ser suficiente para o controle da doença. No entanto, isso depende do estadiamento definitivo, das características do tumor e da avaliação dos linfonodos", afirma o oncologista.


O caso do Papa também chama a atenção para a importância da identificação de alterações pulmonares antes do aparecimento de sintomas, o que ainda é um grande desafio. “Em fases iniciais, o câncer de pulmão pode não provocar manifestações específicas, o que contribui para que muitos diagnósticos ocorram quando a doença já está mais avançada. Mas o diagnóstico precoce é um dos principais fatores que influenciam as chances de sucesso do tratamento. Quando conseguimos identificar um câncer de pulmão ainda localizado, as possibilidades terapêuticas são maiores e podemos trabalhar com estratégias de intenção curativa. Por isso, é importante que as pessoas com fatores de risco sejam avaliadas adequadamente e que o rastreamento seja considerado quando houver indicação", diz Ramon Andrade de Mello.

Extensão da doença

Embora a retirada cirúrgica do tumor possa representar uma etapa decisiva do tratamento, a definição dos próximos passos depende de uma análise mais detalhada. Entre os fatores considerados estão a extensão da doença, o eventual comprometimento dos linfonodos (estruturas do sistema linfático) e as características biológicas das células tumorais.


“O diagnóstico de câncer de pulmão não determina, por si só, qual será o desfecho do paciente. É fundamental entender em que estágio a doença se encontra, se está restrita ao pulmão ou se atingiu os linfonodos e outras estruturas. Essas informações orientam a escolha do tratamento e ajudam a estimar as chances de controle da doença”, explica o oncologista William Nassib William Jr., da Oncoclínicas.


O médico esclarece que é importante reforçar que o câncer de pulmão não é uma doença exclusiva de fumantes. "O tabagismo é o principal fator de risco, mas existem outros fatores ambientais e ocupacionais, além de alterações moleculares que podem estar presentes em diferentes perfis de pacientes. Por isso, cada caso precisa ser investigado individualmente”, afirma.


A extensão da doença é um dos principais fatores para definir o prognóstico. Nos tumores localizados, a cirurgia pode ser uma opção com intenção curativa, desde que as condições clínicas do paciente e as características da lesão permitam a intervenção.


Uma das técnicas utilizadas é a lobectomia, procedimento que consiste na retirada do lobo pulmonar onde o tumor está localizado. A escolha da cirurgia depende, entre outros aspectos, do tamanho e da localização da lesão, da avaliação dos linfonodos e da capacidade respiratória do paciente.


Após a operação, o material removido é analisado para determinar características importantes do tumor, como sua extensão, o comprometimento das margens cirúrgicas e a presença de células cancerígenas nos linfonodos. Os resultados ajudam a definir se a cirurgia é suficiente ou se há indicação de tratamento complementar.


“Mesmo quando o tumor é retirado, precisamos avaliar o risco de a doença voltar. Dependendo do estágio e das características encontradas na análise anatomopatológica, pode haver indicação de quimioterapia, imunoterapia ou terapia-alvo. Em outros casos, a cirurgia pode ser suficiente, seguida de acompanhamento periódico. Não existe uma única conduta aplicável a todos os pacientes”, explica William William.


Quando a doença já atingiu estruturas próximas ou linfonodos, o tratamento pode envolver uma combinação de modalidades terapêuticas. Nos casos metastáticos, em que o câncer se espalhou para outros órgãos, a estratégia costuma priorizar o controle da doença, a ampliação da sobrevida e a preservação da qualidade de vida.

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