O jornalista e apresentador Pedro Bial, da TV Globo, revelou, em entrevista à revista GQ Brasil, que foi diagnosticado com um pequeno enfisema pulmonar, doença que está associada, entre outros fatores, ao tabagismo.
Aos 68 anos, ele contou que está em tratamento.Na conversa, Bial afirmou que parou de fumar há 18 anos e lamentou ter mantido o hábito durante décadas. “Eu era um fumante bravo. A minha vida é feita de arrependimento. Eu sou um arrependimento ambulante”, declarou.
Bial contou que começou a mudar seus hábitos aos 50 anos. Atualmente, sua rotina inclui caminhadas de meia hora em ritmo acelerado todos os dias, musculação com acompanhamento de um personal trainer de duas a três vezes por semana e prática semanal de tai chi chuan.
O enfisema pulmonar é uma doença crônica que faz parte do grupo da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Nele, as paredes dos alvéolos, pequenas estruturas responsáveis pelas trocas de oxigênio e gás carbônico, são destruídas. "O enfisema pulmonar é uma doença pulmonar crônica caracterizada pela destruição das paredes dos alvéolos, estruturas responsáveis pelas trocas de oxigênio e gás carbônico. Com isso, o pulmão perde elasticidade e fica mais difícil eliminar o ar", explica a pneumologista Márcia Bellote, da Bluzz Saúde.
O principal sintoma é a falta de ar, que costuma piorar de forma lenta ao longo dos anos. Tosse, com ou sem catarro, chiado no peito e redução da disposição para as atividades do dia a dia também podem aparecer. "A dificuldade para respirar surge primeiro durante esforços, como caminhar rápido ou subir escadas, e muitas vezes é percebida de maneira gradual, sendo atribuída à idade ou à "falta de condicionamento".
A especialista diz que no começo, a falta de ar pode ser discreta e aparecer apenas durante exercícios, fazendo com que muitas pessoas demorem a perceber o problema.
Esses sintomas não indicam, por si só, que a pessoa tem enfisema. Asma, problemas cardíacos, anemia e obesidade também podem causar falta de ar e cansaço. Por isso, é preciso avaliação médica para descobrir a causa.
O tratamento é individualizado e varia de acordo com a gravidade da doença e as condições de cada paciente. "O tratamento depende da gravidade e das condições de cada paciente. A primeira medida é interromper o tabagismo e evitar outras exposições prejudiciais", orienta Márcia Bellote.
Parar de fumar é uma das medidas mais importantes e traz benefício mesmo para quem já tem a doença, em qualquer fase. Existe tratamento para isso, com apoio profissional e medicamentos, e quem tem dificuldade deve procurar ajuda sem constrangimento. O SUS oferece programas de cessação do tabagismo nas unidades de saúde, e o Disque Saúde (136) pode orientar sobre onde encontrá-los. Cigarros eletrônicos não são alternativa segura nem método comprovado para parar de fumar.
O acompanhamento também pode incluir:
Medicamentos inalatórios (broncodilatadores): abrem as vias aéreas e aliviam a falta de ar. O tipo, a dose e a forma de usar o dispositivo devem ser definidos pelo médico, e a técnica correta faz diferença no resultado.
Reabilitação pulmonar e atividade física orientada: programa supervisionado de exercícios, orientação e apoio, que melhora a falta de ar e a capacidade de realizar as atividades diárias.
Vacinação: contra gripe, pneumonia, covid-19 e, conforme a idade e a indicação, vírus sincicial respiratório e coqueluche, para evitar infecções que podem agravar a doença.
Oxigenoterapia: indicada apenas quando exames mostram falta de oxigênio no sangue de forma persistente. O uso depende de prescrição médica.
Procedimentos e cirurgias: em casos selecionados e avaliados em centros especializados, existem opções como válvulas endobrônquicas ou cirurgia de redução de volume pulmonar.
O enfisema não tem cura, e as alterações já estabelecidas nos pulmões não voltam ao normal. Isso não significa que não seja possível controlar a doença. O tratamento pode reduzir os sintomas, diminuir as crises e melhorar a qualidade de vida.
"O enfisema é uma doença crônica e as alterações estruturais já estabelecidas nos pulmões não são totalmente reversíveis. Porém, o tratamento adequado pode controlar os sintomas, reduzir o risco de exacerbações e ajudar a preservar a função pulmonar", explica.
As exacerbações são as crises, em que os sintomas pioram de repente e que podem exigir atendimento de urgência. Evitá-las é importante porque cada crise pode acelerar a perda de função pulmonar.