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Desgaste da cartilagem do joelho: entenda se o salto alto pode causar o problema

Quando utilizado por muitos anos e durante longos períodos, o calçado pode contribuir para processos degenerativos

Publicado em 13 de Julho de 2026 às 19:15

Portal Edicase

Publicado em 

13 jul 2026 às 19:15
A repetição de movimentos ao longo dos anos pode acelerar alterações na cartilagem dos joelhos (Imagem: Vector_Artist | Shutterstock)
A repetição de movimentos ao longo dos anos pode acelerar alterações na cartilagem dos joelhos Crédito: Imagem: Vector_Artist | Shutterstock
As exigências físicas de ser uma estrela pop costumam cobrar um preço alto das articulações. Aos 67 anos, Madonna revelou recentemente que não possui mais cartilagem em um dos joelhos, atribuindo o problema aos muitos anos dançando de salto alto, correndo no asfalto e praticando ashtanga yoga. O relato gerou debate nas redes sociais sobre se o salto alto é realmente o grande vilão para o desgaste dos joelhos.
Apesar de o uso frequente desse tipo de calçado aumentar a sobrecarga sobre determinadas articulações, o desgaste da cartilagem costuma ser resultado da soma de diversos fatores acumulados ao longo da vida, especialmente em pessoas submetidas durante décadas a atividades físicas intensas.

O salto alto aumenta a sobrecarga, mas não age sozinho

Ao alterar a distribuição do peso corporal, o salto alto modifica a biomecânica da caminhada e aumenta a pressão sobre joelhos, tornozelos e pés. Quando utilizado por muitos anos e durante longos períodos, ele pode contribuir para processos degenerativos.
Mas, de acordo com o Dr. Luiz Felipe Carvalho, ortopedista especialista em células-tronco e diretor do Departamento de Tratamento com Uso de Células-Tronco do CPAH – Centro de Pesquisa e Análise Heráclito, no caso de atletas e artistas que realizam movimentos repetitivos de alta intensidade , outros fatores costumam ter um efeito ainda maior. 
“O salto alto realmente aumenta a carga sobre o joelho e pode acelerar desgastes em algumas pessoas, mas quando analisamos uma carreira como a da Madonna, marcada por décadas de apresentações intensas, coreografias, saltos, corridas e movimentos repetitivos, esse conjunto de fatores provavelmente exerce um impacto muito maior sobre a cartilagem do que o salto isoladamente”, explica.
Segundo o especialista, o principal fator é o efeito cumulativo das sobrecargas sobre as articulações. “O organismo responde ao efeito acumulado das cargas mecânicas ao longo da vida. Dançar profissionalmente durante décadas, realizar movimentos explosivos em shows e praticar atividades de alto impacto exige muito das articulações . É essa repetição contínua que costuma acelerar o processo degenerativo”.
Quando a perda de cartilagem se torna importante, surgem sintomas como dor, rigidez, limitação dos movimentos e dificuldade para caminhar (Imagem: Hazal Ak | Shutterstock)
Quando a perda de cartilagem se torna importante, surgem sintomas como dor, rigidez, limitação dos movimentos e dificuldade para caminhar Crédito: Imagem: Hazal Ak | Shutterstock

A cartilagem sofre com impactos repetitivos

A cartilagem funciona como um amortecedor natural das articulações. Ela reduz o atrito entre os ossos e distribui melhor as cargas durante os movimentos. Com o passar dos anos, principalmente quando há sobrecarga constante, microtraumas repetitivos ou lesões anteriores, esse tecido pode sofrer desgaste progressivo.
Quando a perda de cartilagem se torna importante, surgem sintomas como dor, rigidez, limitação dos movimentos e dificuldade para caminhar; por isso, profissões que exigem movimentos repetitivos durante décadas, como bailarinos, atletas e artistas de palco, apresentam maior exposição a esse tipo de desgaste.

É possível prevenir o desgaste da cartilagem?

Embora o envelhecimento natural influencie a saúde das articulações, alguns hábitos ajudam a preservar a cartilagem por mais tempo. “Manter um peso adequado, fortalecer a musculatura que estabiliza os joelhos, alternar atividades de impacto com exercícios de menor sobrecarga, respeitar períodos de recuperação e tratar lesões precocemente são medidas que reduzem o risco de desgaste acelerado”, explica o médico.
Além disso, dores persistentes e recorrentes nunca devem ser encaradas como consequência normal da idade ou da prática esportiva. “O desgaste da cartilagem normalmente acontece de forma gradual. Quanto mais cedo identificamos alterações articulares, maiores são as possibilidades de controlar a progressão, preservar a função do joelho e manter a qualidade de vida. O principal recado é que a dor persistente nunca deve ser considerada normal, independentemente da idade ou da profissão”, conclui o Dr. Luiz Felipe Carvalho.
Por Angela Rocha

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