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Creatina “a seco”: ingerir o suplemento em pó sem diluir pode colocar a saúde em risco

Apesar de parecer prática e inofensiva, essa tendência pode trazer consequências negativas ao organismo

Publicado em 16 de Abril de 2026 às 17:13

Portal Edicase

Publicado em 

16 abr 2026 às 17:13
Consumir creatina a seco pode comprometer não só a saúde bucal, mas também as vias respiratórias e o organismo como um todo (Imagem: Erhan Inga | Shutterstock)
Consumir creatina a seco pode comprometer não só a saúde bucal, mas também as vias respiratórias e o organismo como um todo Crédito: Imagem: Erhan Inga | Shutterstock
A creatina é um dos suplementos mais populares e estudados do mundo fitness — e, por isso mesmo, também um dos mais sujeitos a modismos perigosos. Nos últimos anos, uma prática chamada “dry scooping”, que consiste em ingerir o suplemento em pó sem diluir, colocando-o diretamente na boca, ganhou força nas redes sociais e passou a ser replicada.
Apesar de parecer prática e inofensiva, essa tendência pode trazer consequências negativas para a saúde. O consumo da creatina em pó sem diluição pode provocar irritações na boca, favorecer o acúmulo de resíduos nos dentes e ainda causar desconfortos nas vias respiratórias devido à inalação de partículas finas.

Perigos para a saúde dos dentes

Ingerir a creatina sem diluir pode afetar a saúde bucal de diferentes maneiras. “Quando a creatina é consumida sem diluição, há um contato direto com os dentes e a mucosa oral, o que aumenta o risco de irritação e favorece o acúmulo de resíduos, algo que não acontece da mesma forma quando o produto é diluído”, explica o cirurgião-dentista da Clínica Omint Odonto e Estética, Herberth Freitas Reis Cavalcante Mota.
Essa prática pode trazer consequências ao longo do tempo. Por possuir partículas finas, a creatina em pó apresenta um efeito abrasivo sobre o esmalte dentário. “Com o uso recorrente, isso pode contribuir para o desgaste do esmalte, exposição da dentina e aumento da sensibilidade”, alerta o especialista.
Outro ponto de atenção é o acúmulo de resíduos na boca. Sem a diluição, parte do suplemento pode ficar aderida aos dentes e à gengiva . Isso facilita a formação de placa bacteriana e aumenta o risco de cáries e inflamações gengivais, especialmente se não houver higiene adequada após o consumo.
Os impactos não se limitam aos dentes. A mucosa oral também pode ser afetada, com sintomas como irritação, ardência e ressecamento. Em pessoas mais sensíveis, há risco de pequenas lesões, como aftas.
Consumir a creatina de forma inadequada pode prejudicar a saúde respiratória (Imagem: RHJPhtotos | Shutterstock)
Consumir a creatina de forma inadequada pode prejudicar a saúde respiratória Crédito: Imagem: RHJPhtotos | Shutterstock

Consequências para a saúde respiratória

Consumir creatina em pó sem diluição também pode oferecer riscos graves para a saúde respiratória. “Ingerir proteína, creatina ou qualquer suplemento em pó sem diluição oferece risco real de broncoaspiração, já que partículas podem ser aspiradas acidentalmente, causando tosse imediata, engasgo e até asfixia”, explica o pneumologista credenciado da Omint Dr. Ricardo Teixeira.
As consequências de um hábito que parece simples podem ser graves. “Essa aspiração pode atingir os pulmões e desencadear uma inflamação, que pode evoluir para uma pneumonia aspirativa e até gerar infecções secundárias. Em casos severos, há risco de parada cardiorrespiratória”, alerta.
O médico também destaca que o pó seco pode aderir à garganta e ao esôfago, causando dificuldade para engolir que pode persistir por dias.

Consumindo corretamente suplementos em pó

Segundo o Dr. Ricardo Teixeira, o ideal é sempre diluir o suplemento em água, leite ou outro líquido, até atingir uma consistência adequada. “Não há qualquer evidência [científica] de que ingerir o produto sem diluição aumente sua absorção, como algumas pessoas acreditam; por isso, a prática não traz benefício e ainda expõe o organismo a riscos desnecessários”, afirma.
A orientação está alinhada às diretrizes de fabricantes e especialistas e contribui para um consumo mais seguro, tanto do ponto de vista bucal quanto sistêmico.
Por Raquel Reis

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