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Mulher

Coceira na menopausa: entenda as causas e veja como aliviar o desconforto

A coceira costuma ser descrita como difusa, leve a moderada, podendo se intensificar à noite

Publicado em 29 de Abril de 2026 às 08:00

Redação

Publicado em 

29 abr 2026 às 08:00
Mulher com coceira
A coceira costuma ser descrita como difusa, leve a moderada shutterstock

A menopausa é um marco biológico natural na vida da mulher, definido pela interrupção definitiva da menstruação por 12 meses consecutivos. Esse processo está diretamente ligado à queda progressiva dos hormônios femininos, podendo desencadear diversas mudanças no corpo. 


Segundo a ginecologista Mariana Rocha Galvão, embora os sintomas mais conhecidos sejam os fogachos (ondas de calor), sudorese noturna e alterações de humor, manifestações dermatológicas - como a coceira na pele (prurido) e ressecamento - também são relativamente frequentes, embora menos discutidas.


A médica explica que a pele depende do hormônio estrogênio para manter sua hidratação, elasticidade e função de barreira. Além disso, ela diz que o estrogênio estimula a produção de colágeno, elastina e lipídios cutâneos. “A queda importante do estrogênio após a menopausa leva à chamada xerose cutânea - pele seca -, que é uma das principais causas do prurido nessa fase”, diz.


No caso específico da coceira, a principal causa é, de fato, o ressecamento da pele, mas não é a única. “Alterações na sensibilidade nervosa cutânea e maior suscetibilidade a irritações também desempenham papel importante”, afirma a professora do Unesc.


A coceira costuma ser descrita como difusa, leve a moderada, podendo se intensificar à noite. Em certos casos, pode haver prurido mais localizado, especialmente em regiões como braços, pernas, costas e couro cabeludo. A médica diz, ainda, que a região genital também pode ser acometida, mas, nesse caso, geralmente está associada à atrofia vaginal - outra consequência da deficiência estrogênica –, podendo desencadear também quadros de dor na relação (dispareunia). “Também pode haver alteração da flora intestinal”.


Além da pele seca, Mariana Rocha Galvão relata que a redução do estrogênio leva à diminuição da lubrificação de mucosas, o que explica sintomas como ressecamento ocular (olhos secos), boca seca e alterações vaginais (secura, dor na relação). 


“Quanto às articulações, há evidências de que a queda hormonal influencia a saúde articular. O estrogênio tem efeito anti-inflamatório e participa da manutenção da cartilagem. Sua deficiência pode contribuir para rigidez, desconforto e até sensação de ‘rangido’ (crepitação), embora isso também esteja relacionado ao envelhecimento natural e a alterações mecânicas”, diz a ginecologista.

Saiba como aliviar

O alívio dos sintomas passa, antes de tudo, por medidas de cuidado com a pele. “Recomenda-se o uso regular de hidratantes potentes, preferencialmente com ureia, ceramidas ou ácido hialurônico, que ajudam a restaurar a barreira cutânea. Banhos muito quentes e demorados devem ser evitados, pois agravam o ressecamento. Sabonetes suaves, sem fragrância, são mais adequados".


Em casos mais persistentes, a médica diz que é necessário uma avaliação individualizada e multidisciplinar. “No caso de alterações da pele, o dermatologista irá avaliar necessidade de anti-histamínicos ou outras medicações em casos mais refratários". 


Já o ginecologista irá avaliar se a paciente tem indicação de terapia de reposição hormonal (TRH) que, quando bem indicada e acompanhada por um especialista, pode melhorar significativamente a qualidade da pele e reduzir sintomas associados. "Em casos de prurido e ressecamento vaginal, o ginecologista também pode avaliar o uso de cremes vaginais com hormônio ou tecnologia como o laser íntimo", conclui.

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