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Vitor de Angelo

Saída de Luciano Huck deve aumentar número de votos brancos e nulos

Número deve crescer também com a provável inelegibilidade de Lula, o que deixa o quadro ainda mais aberto e indefinido, diz cientista social em análise

Publicado em 16 de Fevereiro de 2018 às 21:41

Públicado em 

16 fev 2018 às 21:41

Colunista

Luciano Huck desistiu da candidatura à presidência Crédito: Divulgação
Luciano Huck é um conhecido apresentador de televisão, sem filiação partidária nem histórico de militância política. Nunca exerceu um cargo político ou uma função pública. Também são desconhecidos os seus projetos – ainda que na forma de vagas ideias – sobre os principais problemas do país. Ainda assim, foi alçado ao posto de potencial candidato a presidente da República. Sua repentina proeminência só pode ser compreendida quando analisada dentro do contexto mais amplo, marcado por uma profunda crise política que se arrasta há pelo menos cinco anos, vivido pelo Brasil.
As pesquisas de opinião mostravam o potencial eleitoral do apresentador, sobretudo após a condenação do ex-presidente Lula pelo TRF-4 e as incertezas daí decorrentes, que levaram a um realinhamento das forças político-partidárias – vide o lançamento de várias pré-candidaturas de esquerda desde então. Portanto, a saída de Huck da disputa, oficializada na última Quarta de Cinzas, surge como um segundo vácuo e tem impacto direto na disputa em nível estadual e nacional ao provocar um novo realinhamento.
O governador Paulo Hartung, que desde 2015 vem fazendo incursões na política nacional, participou ativamente das articulações visando o lançamento da candidatura de Huck. Nos últimos meses, muito se falou da possibilidade de Hartung vir a ser o vice na chapa do apresentador, que teria a ganhar com a experiência política do governador, sua formação técnica e o reconhecimento de alguns setores ao ajuste fiscal implementado em seu atual mandato. A desistência de Huck deve fazer com que Hartung se volte novamente para a política regional, seja numa candidatura ao Senado ou – mais provável – ao governo.
Geraldo Alckmin, Rodrigo Maia e Henrique Meirelles também são nomes com os quais Hartung poderia compor uma chapa à Presidência na condição de vice. Porém, isso é menos provável, dado que Alckmin pouco se beneficiaria de uma parceria com Hartung, de perfil e trajetória muito semelhantes ao do governador paulista; e Maia e Meirelles são candidaturas arriscadas demais para Paulo Hartung, a julgar pelo desempenho de ambos em recentes pesquisas de opinião.
Nacionalmente, a saída de Huck e a provável inelegibilidade de Lula devem fazer aumentar em muito o número de votos brancos e nulos. Ainda assim, não são esses votos que definem o vencedor, mas, sim, os votos válidos, atribuídos a algum candidato. De pronto, o maior beneficiado tende a ser Geraldo Alckmin, que disputava com o apresentador a mesma faixa do eleitorado, à exceção do apoio popular mais difuso que Huck certamente teria em função de sua imagem pública como apresentador. No entanto, isso não significa que Alckmin herdará seu lugar como favorito na disputa. Na verdade, a decisão de Luciano Huck tende a deixar o quadro ainda mais aberto e indefinido, a apenas oito meses da disputa.
* Vitor de Angelo é doutor em Ciências Sociais e professor do mestrado em Sociologia Política da UVV. Email: [email protected].

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