Conhecer o próprio corpo é questão de saúde, amadurecimento e prazer! Infelizmente, no caso do corpo feminino, as mulheres não são estimuladas a se tocar e a se conhecer. Por isso, algumas questões ainda causam surpresa, como é o caso do squirting, ou ejaculação feminina, que pode ocorrer em jatos ou apenas escorrer da vagina.
“Há pouco tempo se descobriu, mais a fundo, o clitóris como um órgão destinado somente ao prazer na mulher. Isso ocorre pois nós, mulheres, sofremos muita repressão, e não somos estimuladas a conhecer o nosso próprio corpo. Em suma, devido a tudo isso, a vagina ainda está sendo descoberta”, ressalta a médica ginecologista Lorena Baldotto.
Sobre o conhecimento do squirting, a médica relata que são poucas as mulheres que conhecem e sabem o que é, e menos ainda as que conseguem controlar a sua própria ejaculação. “Isso está diretamente ligado ao fato da não estimulação do corpo das mulheres na sociedade. Algumas sabem o que é, mas outras não fazem nem ideia”, comenta.
Apesar disso, estudos revelam que a ejaculação feminina já é pesquisada desde 1960, principalmente pelo médico William Howell Masters (1915-2001) e sua esposa, a psicóloga Virginia Eshelman Johnson. E pesquisas recentes, realizadas com o colhimento de material, concluíram que a maior parte do líquido da ejaculação é urinário, expelido juntamente com outros líquidos de lubrificação, como os das glândulas de Skene - responsável por “esguichar”.
“Esse fluido se dá pelo relaxamento da bexiga em um momento de prazer intenso. Ou seja, trata-se de um esguicho da uretra, juntamente com líquidos de lubrificação da mulher”, explicou a ginecologista Neide Aparecida Tosato. Ela complementa dizendo que não é toda mulher que sente a ejaculação, pois depende da quantidade de líquido que sai da vagina. “Varia de poucos a 250 ml - como pode ser visto em alguns casos de estudos”, disse ela.
Sobre sexo e masturbação, a ginecologista esclarece que, no primeiro caso, algumas posições sexuais podem, sim, estimular a ejaculação, principalmente aquelas em que existe maior contato e compressão da bexiga, como quando a mulher está por cima do parceiro(a). Além disso, também é possível ejacular durante a masturbação, e alguns instrumentos - como os vibradores - podem estimular o fenômeno.
Vale ressaltar que cada organismo é diferente, e por isso, a ejaculação varia, não sendo necessariamente uma regra ao final de todo orgasmo. “Essa ejaculação acontece no final da fase excitatória e coincide com o orgasmo. Porém, o ato de ejacular é apenas uma fase do orgasmo feminino, podendo ser até uma coisa separada”, afirmou a ginecologista.
A médica Neide Aparecida complementa dizendo que algumas mulheres podem gostar da sensação do squirting, outras, porém, se sentem constrangidas devido a quantidade de líquido que sai, e para isso existem tratamentos, como algumas fisioterapias uro ginecológicas. “Não pode-se afirmar que o sexo fica melhor com a ejaculação da mulher, mas como o prazer é algo imensurável, vai depender da preferência de cada pessoa”, conclui.