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Protonterapia: técnica que usa feixes de prótons para combater o câncer

Mais comum nos EUA e na Europa, técnica de alta precisão é menos tóxica do que métodos tradicionais, como radioterapia, para tratamento de tumores delicados

Publicado em 22 de Outubro de 2018 às 15:35

Publicado em 

22 out 2018 às 15:35
Aparelho utilizado para administração da protonterapia Crédito: IBA Group/ Divulgação
Aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em novembro de 2017, a protonterapia, que utiliza feixes de prótons no tratamento do câncer, ainda é pouco conhecida no Brasil. Mais comum no exterior, como nos Estados Unidos e na Europa, uma de suas vantagens é a precisão do feixe, o que diminui irradiação de regiões vizinhas ao tumor em comparação com a radioterapia convencional, por exemplo. Por conta disso, a protonterapia tem sido mais utilizada em tumores mais delicados, como oculares e infantis.
Apesar da aprovação do órgão regulatório, ainda não há centros de protons no país. Os custos para sua implementação são altos. Se houvesse por aqui, estima-se que um tratamento teria um custo médio de R$ 80 mil. Hoje, um paciente precisaria buscar hospitais em outros países, como nos EUA (que custa cerca de US$ 30 mil e onde existem 28 centros especializados) e na Europa (na França o custo médio é de US$ 25 mil).
Radicado nos EUA, Márcio Fagundes, diretor do Miami Cancer Institute do Hospital Baptist Health South Florida e ex-diretor médico do Centro de Provisão de Terapia de Próton em Knoxville (Tennesse), veio ao Brasil em agosto para apresentar o tema no XX Congresso da Sociedade Brasileiro de Radioterapia e explica o tratamento.
O que é a protonterapia?
Há três formas de tratar o câncer: cirurgia, quimioterapia e radioterapia. A protonterapia utiliza prótons, uma partícula, em vez de raio-x (como na radioterapia). Já existe há muitas décadas, mas evoluiu muito nos últimos anos, assim como cresceu o interesse por ela. Acelerado em um equipamento chamado ciclotron em uma velocidade muito alta, mais da metade da velocidade da luz, ao atingir essa velocidade, o próton tem uma energia suficiente para penetrar no corpo e atingir onde está o tumor. Os prótons entram no corpo, em direção ao tumor, e vão desacelerando. Onde param, liberam energia na forma de irradiação e desaceleram abruptamente.
Em quais tipos de tumor a protonterapia tem tido resultados?
A protonterapia está estabelecida há mais tempo no tratamento de tumores do cérebro, em pacientes pediátricos e adultos, e para tumores de base de crânio, como os cordomas. Mais recentemente, nos últimos dez a 20 anos, há um crescimento para outras indicações, como o de mama, do fígado, de próstata e existe grande interesse nos de garganta. Está sendo desenvolvido ainda contra câncer de pulmão.
É o fato de que o próton pára em uma profundidade controlada e conhecida, o que evita irradiar tecidos mais profundos além do tumor. Por exemplo, para tratar um tumor do eixo neuro-espinhal, um paciente criança só precisa de irradiação no canal medular. Com a protonterapia, emiti-se um feixe de irradiação no liquor que vai parar imediatamente depois de atingir o que deseja tratar. Tudo que está na frente, como coração, pulmão e intestino, não receberá irradiação. Isso evita danos que esse paciente poderia ter para o resto da vida caso outros órgãos recebessem irradiação.
E qual a principal diferença dela para a radioterapia, por exemplo?
Uma das vantagens com relação a radioterapia é aumentar dose aumentando chance de erradicação do tumor e cura. Muitas regiões do corpo têm um limite de dose que podem receber de irradiação. Se exceder esse limite, causa disfunções sérias, como perda de função e até risco de vida. Existem tumores, como cordomas, que são primeiramente removidos, mas precisam de uma dose muito alta de radiação no pós-operatório. E é difícil administrar essa dose necessária com radioterapia convencional porque acaba expondo parte do cérebro, podendo causar danos neurológicos. Prótons, ao contrário da radioterapia, permitem dose maior e, com isso, aumentar as chances de cura.
Quais os desafios para implementar a terapia?
Para acelerar o proton e administrar a terapia, requer equipamento complexo, sofisticado e caro - mais caro que o da radioterapia convencional. Não existe nenhum deste tipo montado no Brasil. Para tê-los, são necessários centros de alta complexidade que exige equipamento específico e certa complexidade para operá-lo. Mas é natural que isso vá acontecer no Brasil em alguns anos.

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