Atualmente, o Brasil tem 12,7 milhões de desempregados, 6,5 milhões de subocupados e 4,3 milhões de desalentados (pessoas que desistiram de buscar uma oportunidade porque acham que não vão encontrar), frutos de políticas e decisões desacertadas que nos levaram à maior crise da história durante os anos de 2015 e 2016. Sair do atoleiro não é fácil.
A recente divulgação do aumento do PIB em 1% em 2017 ainda não nos permite comemorar. Em termos de PIB per capita, houve um aumento de apenas 0,2% em 2017, frente a quedas de 4,2% em 2016, 4,3% em 2015 e 0,4% em 2014. Assim, para que a recuperação econômica chegue de fato no dia a dia das pessoas, há um longo caminho a percorrer. Para que voltemos ao mesmo patamar de antes da crise avassaladora, é necessário um aumento médio de 3% no PIB per capita nos próximos 4 anos. Importante notar também que grande parte do aumento do PIB de 2017 decorreu da excelente performance do agronegócio, especialmente por conta da supersafra, que é um evento não controlável. É importante que esse crescimento se espalhe de maneira mais homogênea para o restante da economia.
Portanto, o caminho ainda é longo e cheio de percalços. Para começar, apesar da ociosidade elevada da capacidade instalada, há a necessidade da retomada dos investimentos das empresas de maneira que o país se mantenha competitivo e possa evoluir tecnologicamente. Novas tecnologias surgem a todo instante e empresas que não estejam atentas às novas tendências não resistirão. O atual nível de investimento em relação ao PIB é de 15,7%, baixo para um país que almeja crescimento sustentável no longo prazo. Há ainda o obstáculo das eleições de 2018 que, a depender de seu resultado, certamente vai determinar o comportamento dos investidores e empresários com relação à retomada definitiva ou desconfiança contínua na economia do Brasil.
A sociedade brasileira terá a responsabilidade de eleger o Presidente da República, governadores, dois terços do Senado Federal e deputados. São eles que vão avaliar, propor e votar as mudanças que deverão ser implementadas pelo governo. Temos que nos convencer de que só voltaremos a crescer se tivermos representantes que estejam alinhados com a ideia de desenvolvimento do país e dispostos a enfrentar de maneira realista temas espinhosos (como a Reforma da Previdência) e não preocupados com benefícios próprios que o cargo pode lhes proporcionar. Passados esses percalços, a economia brasileira tem tudo para voltar a crescer e chegar no dia a dia e no bolso das pessoas.
*Fernando Caio Galdi é doutor em Ciências Contábeis, professor associado da Fucape e comentarista da CBN