Em meio ao avanço da desinformação e ao uso crescente da inteligência artificial (IA), alguns fundamentos do jornalismo continuam insubstituíveis. É o que defende Patrik Camporez, repórter de investigação e política de O Globo em Brasília, que foi o convidado da aula inaugural do 29º Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta, nesta segunda-feira (10).
Com o tema “Jornalismo investigativo na era da desinformação”, Patrik compartilhou experiências da carreira e falou sobre apuração, construção de fontes, novas tecnologias e os desafios enfrentados pelos jornalistas.
Entusiasta do uso de IA para otimizar o trabalho, ele ponderou que, embora seja necessário os profissionais estarem atentos e usarem as novas tecnologias, o olhar do repórter na apuração das informações e o contato com a notícia e as fontes in loco ainda são insubstituíveis.
“Assim que saiu o ChatGPT eu comecei a entender, conhecer e hoje uso para pesquisar algumas informações, analisar dados, planilhas. Me ajuda muito! Mas o nosso olhar e a busca nas ruas não tem IA que faça", ressaltou.
Durante a conversa, mediada pela jornalista e coordenadora do Curso de Residência, Flávia Martins, Patrik destacou a importância do contato com as pessoas e da apuração nas ruas. Ao falar sobre as habilidades necessárias para quem está começando, citou a curiosidade, a persistência e saber ouvir, principalmente, as pessoas na rua, na comunidade. "É desse contato que nascem grandes matérias. Pense como jornalista investigativo para ter um olhar sempre diferenciado. Busque histórias, seja curioso", recomendou.
O papel do jornalismo no combate à desinformação também marcou a abertura do encontro. Bruno Dalvi, editor-chefe da TV Gazeta e do g1 ES, chamou atenção para o paradoxo provocado pelo excesso de informações.
Créditos: Ricardo Medeiros
“Cada vez mais, o jornalismo se torna imprescindível. Hoje, todo mundo produz e dissemina conteúdo. Dados de pesquisa mostram um verdadeiro paradoxo vivido hoje, em meio a tanta informação, as pessoas se sentem cada vez mais perdidas. É fazendo jornalismo que se combate a fake news", reforçou.
Geraldo Nascimento, editor-chefe de A Gazeta e da Rádio CBN Vitória, também participou da aula inaugural e deixou mensagem aos residentes.
Créditos: Ricardo Medeiros
“O trabalho de vocês já começou. Façam com intensidade e trabalhem com muita verdade, porque a nossa vida está atravessada por muita desinformação. A Gazeta trabalha para levar um jornalismo de qualidade. Vocês são vetores de transformação na vida das pessoas", disse.
Durante o bate-papo, Patrik também reforçou a responsabilidade dos veículos na checagem: “Uma coisa é uma pessoa anônima espalhar inverdade e outra coisa é um veículo de comunicação fazendo isso. A preocupação é muito grande com as informações que chegam à redação. É compromisso nosso checar e identificar o que é mentira", concluiu.
A aula inaugural marcou o início do 29º Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta. Dez estudantes de Jornalismo foram selecionados para participar do programa, que aproxima profissionais em início de carreira das rotinas de produção de notícias e conteúdos nos diferentes veículos da empresa.
As atividades seguem até o fim de novembro. Durante o período, os residentes participarão de oficinas práticas, aulas teóricas e produções jornalísticas, acompanhados por repórteres e editores de veículos como A Gazeta, TV Gazeta, Rádio CBN Vitória, g1 ES, HZ e Estúdio Gazeta.
A turma dos novos foquinhas - como são apelidados os jornalistas em início de carreira - é formada por estudantes e recém-formados do Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Brasília.
A instituição com o maior número de representantes é a FAESA Centro Universitário, com três aprovados. Em seguida aparece a Universidade Federal de Viçosa (UFV), com dois estudantes. Também há selecionados da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), da Universidade Veiga de Almeida (UVA), da Universidade Estácio de Sá e do Centro Universitário Fluminense (Uniflu).