“Uma ferramenta de IA (inteligência artificial) apresentou ficha técnica, versão e até preço de uma configuração fictícia de um carro popular que não existe”. O exemplo apresentado pela jornalista Karine Nobre, editora adjunta de Motor e Imóveis de A Gazeta, chamou a atenção dos residentes da Rede Gazeta sobre o tema que ela escolheu para conversar com os futuros jornalistas: o uso da IA na produção de textos.
Ela conta que se surpreendeu com a firmeza da IA na invenção dos dados sobre o carro inexistente, que acabaram sendo publicados por um site de notícas nacional. “Para quem não conhece o mercado automotivo, o conteúdo poderia parecer verdadeiro e ser reproduzido sem que o erro fosse percebido”, disse Karine, que cobre o setor automotivo há 13 anos.
A curiosidade da turma era saber sobre o uso da IA na produção de reportagens e a editora foi transparente ao dizer que a inteligência artificial tem sido uma aliada no dia a dia, mas que o uso dela se restringe somente a etapas que servem para agilizar o trabalho. “Uso mais para fazer transcrições de teste-drive, pesquisas e organização de dados, por exemplo, mas nunca como fonte oficial de qualquer informação”, ressaltou.
Durante a conversa, Karine também alertou para o comportamento das ferramentas de IA que tentam agradar o usuário. A chamada “IA boazinha” ou “bajuladora” pode apresentar respostas de forma excessivamente agradável, sem necessariamente questionar as informações fornecidas ou a ideia apresentada na pergunta. Para a jornalista, esse comportamento reforça a necessidade de sempre desconfiar e checar a informação, com lupa, antes de incorporar qualquer conteúdo gerado pela ferramenta.
Ao pesquisar com o auxílio da inteligência artificial, a recomendação é priorizar fontes confiáveis, como veículos de imprensa, sites de prefeituras e órgãos oficiais. A ferramenta deve atuar apenas como apoio, mantendo a responsabilidade do conteúdo com o jornalista.
Além da checagem dos dados, a editora adjunta reforçou que a tecnologia não pode apagar a assinatura (identidade) e o olhar atento do repórter. Ela também apontou as ferramentas mais adequadas para cada etapa do trabalho, ressaltando a importância de utilizar plataformas que garantam a segurança da informação.