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Opinião da Gazeta

Reajuste do STF vai na contramão de necessidades do país

Como salário dos ministros serve de parâmetro para outros cargos públicos, efeito cascata desse aumento trará um gasto de R$ 720 milhões por ano na folha do Judiciário federal

Publicado em 09 de Agosto de 2018 às 16:38

Públicado em 

09 ago 2018 às 16:38

Colunista

Se havia dúvida de que os ministros do STF parecem estar desconectados da realidade do país, ontem o Brasil teve certeza. A despeito da crise orçamentária e do clamor por responsabilidade fiscal e redução da máquina pública, os magistrados aprovaram um aumento de 16,38% nos próprios salários. Com isso, os vencimentos subiriam de R$ 33,8 mil para R$ 39,3 mil.
Caso seja sancionado o “modestíssimo” reajuste, como definiu Ricardo Lewandowski, as contas públicas serão destroçadas numa avalanche. Como a remuneração dos ministros serve de parâmetro para o teto dos juízes e para as carreiras atreladas à remuneração da Justiça, como Tribunal de Contas e Ministério Público, o efeito cascata desse aumento trará um gasto de R$ 720 milhões por ano na folha do Judiciário federal. Somente no Espírito Santo, o impacto nas contas será de quase R$ 40 milhões anuais.
A reboque, pode desencadear aumentos nos Legislativos do país que, embora não sejam vinculados ao teto do STF, costumam seguir a onda. A título de comparação, vale citar que, mesmo antes do reajuste, o contracheque os ministros está longe de ser modesto. Segundo estudo da Comissão Europeia para a Eficiência da Justiça, os juízes do STF já ganham proporcionalmente cinco vezes mais que seus pares europeus.
O momento desse reajuste totalmente inorportuno, porque vai na contramão da necessidade de ajustes das contas – especialmente, diante da massa de 13 milhões de desempregados. É ainda mais escandaloso porque o Supremo faz ouvidos moucos sobre privilégios da classe e recusa-se a rever penduricalhos incondizentes com a situação do país, como o auxílios a moradia, alimentação e saúde e até “gratificação natalina”, além das nababescas férias de 60 dias.
Essa insensibilidade não deve contar com a conivência do Congresso, porque é a própria receita do desastre. Somente o efeito imediato com folha de pagamento e Previdência representa uma bomba-relógio programada já para 2019. E explodirá no colo do candidato que assumir a Presidência. Curiosamente, nenhuma das potenciais vítimas se manifestou sobre o absurdo.
 

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