Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Prisões marginalizam seres humanos, produzem o crime e fecham o futuro
Violência

Prisões marginalizam seres humanos, produzem o crime e fecham o futuro

Há prisões péssimas e prisões menos ruins. Prisão boa acredito que não haja. Nunca vi, em minha vida de juiz, alguém pleiteando ingresso numa prisão

Publicado em 05 de Fevereiro de 2020 às 04:00

Públicado em 

05 fev 2020 às 04:00
João Baptista Herkenhoff

Colunista

João Baptista Herkenhoff João Baptista Herkenhoff
Prisão: lugar de ressocialização? Crédito: Dione Silva de Castro
O presidente da República defendeu o fim das audiências de custódia, que são uma das formas de reduzir o aprisionamento de acusados. A implementação das audiências de custódia, no sistema judiciário brasileiro, começou a ser efetivada em 2015, por iniciativa do Conselho Nacional de Justiça, em parceria com o Ministério da Justiça e o Instituto de Defesa da Pessoa.
O presidente também afirmou que a superlotação do sistema prisional não deve ser uma preocupação do governo. Vejo, com espanto, o orgulho de governadores de Estado quando anunciam a construção de novos presídios.
São presídios cada vez maiores, sofisticados, com instrumental de segurança e até com a brutalidade do isolamento total do preso. Só falta colocar um bilhetinho na cela do preso que é isolado: “transforme-se em fera”.
Rousseau, debruçando-se sobre a realidade de seu tempo, disse que “abrir uma escola é fechar um presídio”. Sua sentença permanece atual e ganha mais vigor ainda em nossa época. Prisões marginalizam seres humanos, dilaceram personalidades, produzem o crime, fecham o futuro.
Dante, na “Divina Comédia”, colocou uma frase na porta do inferno advertindo aos que ali entrassem. Que deixassem de fora a esperança. (“Lasciate ogni speranza, voi ch’entrate”). Esta sentença de Dante Alighieri, referindo-se ao inferno, encaixa-se às prisões, como as temos no Brasil.
Há prisões péssimas e prisões menos ruins. Prisão boa acredito que não haja. Nunca vi, em minha vida de juiz, alguém pleiteando ingresso numa prisão. Uma série de alternativas podem reduzir o aprisionamento de pessoas a casos extremos.
Com um acompanhamento sério por pessoal competente, com a participação direta e pessoal dos magistrados, tanto na concessão de oportunidades que substituam o encarceramento, quanto no acompanhamento posterior da vida dos beneficiados, resultados surpreendentes podem ser alcançados.
A Associação de Familiares e Amigos de Presos afirma que a revista, a que as mulheres são submetidas quando vão visitar seus familiares, é outra grave e recorrente violência. “A presa tem que se despir à frente de uma pessoa que nunca viu. Agachar duas vezes, de frente e de costas”.
Rosilda Ribeiro, coordenadora da Pastoral Carcerária para a Mulher Presa, explica que 45% do total de presas são provisórias – ou seja, ainda não foram julgadas.
A ex-presa Carla Regina relata que, em liberdade, enfrentou muitas dificuldades para conseguir emprego. Esse preconceito a motivou a ajudar outras mulheres que passam pela mesma situação. Hoje, ela acompanha a saída de presas da Penitenciária Feminina no Butantã e desenvolve um projeto para ajudá-las a retornar ao trabalho.

João Baptista Herkenhoff

João Baptista Herkenhoff João Baptista Herkenhoff

É juiz de Direito aposentado e escritor. Aborda temas atuais com uma visão humanista, com foco nos direitos humanos. Escreve às quartas

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem BBC Brasil
Os adolescentes chineses que consomem medicamentos para adormecer a mente e 'fugir da realidade'
Alexandre de Moraes, ministro do STF
Relatório usado por Moraes não poderia circular fora da PF, diz chefe de entidade dos delegados
Colecionadores de carros clássicos no Espírito Santo
Antigomobilismo: colecionadores de carros antigos mantêm tradição viva no ES

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados