O presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (Republicanos), estuda conceder abono de fim de ano aos servidores do Poder Legislativo do Estado. A informação foi confirmada à coluna por duas fontes do primeiro escalão da administração da Casa. O valor deve ficar entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil por servidor.
Segundo fonte da cúpula da Assembleia, o presidente está estudando o valor e “fazendo contas” a partir da capacidade orçamentária do Poder, mas realmente a inclinação, no momento, é no sentido de conceder o abono.
Entre efetivos e comissionados, a Assembleia tem, hoje, 1.242 servidores. Fazendo uma continha básica, se o abono for de R$ 1 mil, o impacto financeiro será de R$ 1,242 milhão. Se for de R$ 1,5 mil, representará um gasto de R$ 1,863 milhão a mais na folha de pagamento de dezembro.
Na manhã desta sexta-feira (1º), o governador Renato Casagrande (PSB) anunciou que dará reajuste, em dezembro, para os servidores do Estado, correspondente à inflação oficial, medida pelo IPCA - hoje em 3,29%. Isso levará Erick Musso a voltar ao quadro negro.
O reajuste anunciado pelo governo valerá só para os servidores do Poder Executivo. Os do Legislativo, do Judiciário e de outras instituições com autonomia orçamentária deverão ser decididos e enviados para a Assembleia em projetos de lei próprios.
Ao anunciar o reajuste na manhã desta sexta-feira, o governo Casagrande também informou que não dará abono de fim de ano para os servidores do Executivo.
Mas, conforme a coluna apurou, o reajuste anunciado pelo governo não necessariamente levará o presidente da Assembleia a desistir de dar o abono para os servidores da Casa. Apenas exige que ele refaça as contas, talvez concedendo o abono em um valor menor. Em tese, ele pode apresentar um projeto de reajuste para os servidores do Legislativo em dezembro e, ainda, conceder algum abono.
PANO DE FUNDO: AUTONOMIA
Se essa decisão de Erick se confirmar, teremos um sinal político importante, aliás, mais um indício a reforçar uma leitura: a reafirmação da autonomia política por parte do jovem presidente da Assembleia. Se de fato for concedido, o abono para os servidores da Assembleia será uma iniciativa pessoal de Erick, dissociada do Palácio Anchieta, sem necessariamente contar com o aval ou a bênção do governo Casagrande.
Será, de certo modo, uma “quebra de tradição”. Nos últimos anos, em relação a aumento salarial e abono, a Assembleia sempre acompanha o que faz o governo estadual: se o Executivo não dá reajuste, o Legislativo também não dá; se o primeiro não dá abono para os seus servidores, o segundo também não dá abono para os seus.
Erick Musso cultiva boa relação com o governador e tem se empenhado em garantir a governabilidade de Casagrande na Assembleia (sem criar nenhum empecilho para a aprovação dos projetos do Executivo na Casa), mas, decididamente, não reza pela cartilha do atual governador – como não exatamente rezava pela de Paulo Hartung, apesar da boa relação entre ambos.
Nem Hartung nem Casagrande. Erick tem grupo político próprio, ambições políticas próprias e tem feito seus próprios movimentos políticos. O grupo integrado por ele é aquele hoje alojado no partido Republicanos (antigo PRB), do qual também fazem parte o deputado federal Amaro Neto e o diretor-geral da Assembleia, Roberto Carneiro (presidente estadual do partido).
CENA POLÍTICA 1
Erick Musso foi convidado pessoalmente pelo governador Renato Casagrande para participar do almoço oferecido pelo cerimonial do Palácio Anchieta ao ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, na última terça-feira (29). Mas ele não pôde ir. Perdeu uma tremenda moqueca palaciana, com torta capixaba de entrada. Essa aí até eu queria!
CENA POLÍTICA 2
Nesta sexta-feira, Renato Casagrande viaja para Portugal, onde participará, por cerca de uma semana, de uma feira mundial de inovação tecnológica. Erick Musso também foi convidado para compor a comitiva, formada também por empresários. No dia 9 de outubro, em evento no Palácio Anchieta, diante de muitos empresários, Casagrande fez o convite de público a Erick.
Havia um detalhe, porém: as despesas do presidente com passagens e diárias teriam que ser custeadas com dinheiro do orçamento da Assembleia. Erick recusou o convite. É aquela história: você me convida para um churrasco, mas eu tenho que levar a carne, as bebidas, o carvão…