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Política

Partidos opostos se unem pelo fundo eleitoral enquanto a nação fica inerte

O aumento do fundo eleitoral para R$ 3,8 bilhões tira recursos da saúde, educação e infraestrutura. Cadê a política que é serviço? Cadê a política que é “se colocar à disposição” para servir ao povo?

Publicado em 12 de Dezembro de 2019 às 04:00

Públicado em 

12 dez 2019 às 04:00
Vinicius Figueira

Colunista

Vinicius Figueira

Plenário da Câmara dos Deputados Crédito: Agência Câmara
Podemos dizer que na última semana o brasileiro recebeu uma tremenda cusparada na face pelo PP, MDB, PTB, PT, PSL, PL, PSD, PSB, Republicanos, PSDB, PDT, DEM e Solidariedade. Esses foram os 13 partidos que deram forma à aprovação da retirada de recursos orçamentários da saúde, da educação da infraestrutura para financiar caprichos eleitorais no pleito do próximo ano.
Se possível, antes de continuar a leitura do artigo, retome as siglas partidárias novamente. Pois bem, quando o assunto é poder, em palanques opostos, líderes se rasgam, e os militantes se encarregam de irem para as redes sociais tecerem opiniões horrendas para defenderem o que se nomeia de ideologia. Mas quando o assunto é dinheiro para sustentar o poder, os rivais como PSL, PSDB e PT se unem e se respaldam até do chamado centrão. A pergunta que não quer calar: onde estão os brasileiros? Porque não estão nas ruas? Porque não organizar marchas contra esses partidos que a propósito ganharam a carteirinha de hipócritas? Que inércia!
O aumento do fundo eleitoral para R$ 3,8 bilhões com corte de recursos em saúde, educação e infraestrutura possui uma consoante com justificativa: é preciso aumentar o fundo para reforçar as campanhas eleitorais no próximo ano. Para líderes e representantes dos partidos, o aumento é necessário porque, no pleito municipal, o número de candidatos é bem maior. Cadê a política que é serviço? Cadê a política que é “se colocar à disposição” para servir ao povo?
O mais triste de tudo isso é vermos estampados nas manchetes dos jornais que o principal alvo da tesoura foi o Fundo Nacional de Saúde (R$ 500 milhões), infraestrutura e desenvolvimento regional (R$ 380 milhões), que inclui obras de habitação e saneamento. A redução em educação chegou a R$ 280 milhões. Somando saúde, educação e infraestrutura, o corte foi de R$ 1,7 bilhão. Uma outra comparação assombrosa surge quando olhamos o Orçamento federal para 2020, de R$ 423 milhões, para custear o investimento de saneamento básico, enquanto que o Fundo Eleitoral terá R$ 3,8 bilhões. Logo, o gasto com campanhas políticas será nove vezes maior do que com saneamento no nível federal. “O que é mais prioritário? Atender 100 milhões de pessoas sem esgoto ou atender políticos?”, já dizia um ex-candidato em sua conta numa rede social. Dá pra conceber? Onde estão os brasileiros? Que inércia!
A impressão é que estamos assistindo tudo de camarote e esperando ver o que vai dar. Mas já está dando o pior, e permanecemos inertes, adormecidos, tentando acreditar nas inverdades proliferadas nas redes sociais, tentando sustentar a “minha ideologia fanática”, distorcendo discursos, para não dizimar a minha imagem partidária, porque, por vezes, ela esconde minhas neuroses.
Via de regra, vasculhei algumas contas e perfis de redes sociais de esquerdistas e direitistas, mas o silêncio sobre o assunto imperou. De fato, comungar de uma ideologia com senso de humanidade e de justiça possibilita discordar e até mesmo denunciar os absurdos da ideologia que se vende pelo dinheiro de um fundo eleitoral para sustentar o poder. Mas quando este cidadão se cobre da ideologia ou se embriaga dela, recebe como consequência a cegueira que o direciona a compartilhar, por exemplo, apenas os resultados do DataFolha que desestrutura e continua a atacar o presidente.
O que nos salva é a voz de Paulo de Tarso a sussurrar: “Hora est iam nos de somno surgere! (Já é hora de levantarmos de nossa inércia)”.

Vinicius Figueira

É publicitário. Uma visão mais humanizada dos avanços tecnológicos e das próprias relações sociais tem destaque neste espaço. Escreve às quintas

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