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Menos preconceito

Palavras que deveríamos eliminar do nosso vocabulário em 2020

Sem que muitos percebam, palavras e expressões como "denegrir", "lista negra", "dia de branco" e "cabelo ruim" contribuem para a intolerância da sociedade atual

Publicado em 12 de Janeiro de 2020 às 04:00

Públicado em 

12 jan 2020 às 04:00
Ana Laura Nahas

Colunista

Ana Laura Nahas Ana Laura Nahas
Palavras para serem eliminadas Crédito: Divulgação

Certas palavras, expressões e frases feitas podem até parecer inofensivas à primeira vista, mas são exatamente o oposto. Popularizadas ao longo da História, elas escondem origens e visões racistas, homofóbicas e machistas, reforçando desequilíbrios e desigualdades. Por melhor que sejam as intenções de quem fala, o que os raivosos chamam de mimimi tem outro nome: preconceito.

Então, deixo aqui um desafio de ano novo, pra mim, pra você, pra todos nós: o que acham de eliminarmos do nosso vocabulário palavras como DENEGRIR, expressões como LISTA NEGRA e frases feitas do tipo “não sou preconceituoso, até tenho um amigo gay” ou “ela devia ser muito bonita quando era magra” e sua variação “ela devia ser linda quando era mais jovem”?

Segundo o Aurélio (aliás, chamar dicionário de Pai dos Burros soa mal pra vocês também?), DENEGRIR significa tornar negro, escurecer. Portanto, ao associar alguém de reputação ruim a algo escuro, estamos sendo tão racistas quanto ao dizer LISTA NEGRA ou MERCADO NEGRO ao nos referirmos a um grupo indesejado ou a operações ilegais de compra e venda.

Dia de trabalho, responsabilidade e compromisso, ao contrário, é DIA DE BRANCO. INVEJA BRANCA também seria "do bem": aquela que não faz tão mal quanto a "outra". Filho da pá virada ganha fama de OVELHA NEGRA, porque, graças ao racismo estrutural que nos acompanha desde os tempos da escravidão, coisas proibidas, perigosas, mortais ou ilegais são negras como a peste (olha aí…).

CABELO BOM é cabelo liso. Cacheados ou crespos são CABELO RUIM. “Mulher no volante perigo constante”, “não fale assim comigo porque eu não sou tuas negas”, “mulher tem que se dar ao respeito”, “essa é pra casar”, “pode ser gay, mas não precisa beijar em público”, "respeito sua OPÇÃO SEXUAL, mas não aceito", "ele parece um homem normal, não acredito que seja gay": são inúmeros os preconceitos impregnados no vocabulário nosso de cada dia, muitos deles despercebidos ou minimizados.

Silenciosamente, eles contribuem para que a sociedade intolerante e preconceituosa em que vivemos continue exatamente do mesmo jeito: intolerante e preconceituosa.

Ana Laura Nahas

Ana Laura Nahas Ana Laura Nahas

É jornalista e escritora, com passagens pelos jornais A Gazeta e Folha de São Paulo e pelas revistas Bravo! e Vida Simples. Autora dos livros Todo Sentimento e Quase um Segundo, escreve aos domingos sobre assuntos ligados à diversidade, comunicação e cultura

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