"As práticas de corrupção se tornaram mais elaboradas e o crime organizado se aperfeiçoou ainda mais, contando com novos agentes e entes políticos, e hoje quase não se ouve falar de crime organizado no Espírito Santo, embora todos saibam que ele nunca deixou de existir em terras capixabas."
O alerta foi feito pelo padre Kelder Brandão, da paróquia Santa Teresa de Calcutá (Itararé), durante a celebração da missa de sétimo dia do advogado Agesandro da Costa Pereira, presidente da seção capixaba da OAB por quase 20 anos, de 1985 a 1989 e de 1991 a 2006.
A missa foi celebrada na noite desta segunda-feira (04), na Igreja Santa Rita, na Praia do Canto, diante de autoridades como o governador Paulo Hartung (MDB), o vice-governador César Colnago (PSDB), o prefeito de Vila Velha, Max Filho (PSDB), e desembargadores.
Conhecido por seus posicionamentos incisivos em questões políticas e sociais, o padre Kelder ainda alertou para a contínua violação de direitos humanos no Espírito Santo. A trajetória de Agesandro como advogado e presidente da OAB-ES foi marcada precisamente pela luta contra a corrupção, contra o crime organizado e contra todas as formas de violência, principalmente à frente do Fórum Reage Espírito Santo.
"Mas a cruzada do Dr. Agesandro não acabou quando o Fórum Reage Espírito Santo deixou de se reunir, ou quando ele deixou de ser presidente da OAB, e está muito longe de acabar, aqui, no Espírito Santo. O legado de Dr. Agesandro não pode ser sepultado com ele. É verdade que as instituições políticas se transformam, mas, com elas, também se transformam as organizações criminosas", advertiu o líder religioso.
Padre Kelder ainda chamou a atenção para o aumento da violência e das torturas nos presídios no Espírito Santo:
"A violência hoje é três vezes maior no Estado do que no ano em que o Fórum Reage foi organizado (1999). A população carcerária sextuplicou, como também aumentaram as torturas nos presídios. As violações aos direitos humanos, praticadas pelo Estado, continuam recorrentes no Espírito Santo."