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Opinião da Gazeta

Ourimar: jogo de empurra entre Caixa e prefeitura é inadmissível

População do conjunto habitacional da Serra já é castigada pelo tráfico. Não deveria receber mais um duro golpe com trapalhadas de programa social

Publicado em 18 de Julho de 2018 às 14:15

Públicado em 

18 jul 2018 às 14:15

Colunista

Um erro e o subsequente jogo de empurra-empurra sobre a responsabilidade por ele têm tornado ainda maior a agonia de moradores do Condomínio Ourimar, na Serra, que integra o Programa Minha Casa Minha Vida. Um dia após surpreender os condôminos com uma decisão judicial para desocupar 303 unidades, a Caixa Econômica admitiu que a lista das unidades alvo da ação de reintegração de posse não era oficial e que ela está sendo revista pela Prefeitura da Serra. A administração do município, no entanto, informou que o levantamento deve ser feito pela Caixa.

A tal lista “não oficial”, porém, foi tratada em uma reunião, no dia 4 de julho, em que participaram representantes de grosso calibre da Polícia Militar, da Caixa e da Prefeitura, além de oficiais de Justiça. Na segunda (16), foi repassada aos moradores por meio de comunicado interno do condomínio, com a informação de que deveriam abandonar os imóveis até 17 de agosto. Indignados, eles procuraram a Caixa para entender por que deveriam sair dos apartamentos, se estavam em dia com as parcelas.

Somente depois da justa grita é que a instituição financeira, gestora do Minha Casa Minha Vida, admitiu que quem deve sair ainda não está devidamente indicado. E logo tratou de jogar a batata quente para a prefeitura. O resto da história você já sabe. O resumo é que, até o momento, os moradores estão encurralados por uma decisão judicial, até que se dissipe a dúvida sobre a regularidade dos imóveis.

É inadmissível que diante de questão tão sensível como moradia, setor crucial ao bem-estar social, aqueles que poderiam resolver os problemas são, na verdade, os que os criam. A população de Ourimar já é castigada pelo tráfico no conjunto habitacional, como este jornal denunciou diversas vezes. Não deveria receber mais esse duro golpe.

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