O padre Roberto Paz afirma que estudar e compreender os pecados capitais é útil aos cristãos de hoje. Rosemeire Zago coloca que conhecer os pecados capitais é conhecer nossos instintos mais primitivos, o lado escuro que todos nós temos, nossa “sombra”, a que se refere Jung.
E a citada psicóloga clínica com abordagem junguiana finaliza sua reflexão dizendo acreditar que podemos transformar os sete pecados capitais em aprendizagem ao percebermos que o maior sentido da vida é a conscientização da riqueza do nosso mundo interior. Os sentimentos, a emoção, a sensibilidade, a naturalidade são dotes frequentes nas crianças, que os adultos vão perdendo ao criar defesas e máscaras.
Rachel de Queiroz, em deliciosa crônica, diz que os pecados capitais, que ela aprendeu no colégio de freiras, parece que representavam a soma da iniquidade humana.
Taiz Zeidan coloca a proposição de que é impossível viver sem vícios e manias. Os pecados capitais estão inseridos naturalmente na vida do ser humano. Deles resultam efeitos positivos e negativos no corpo e na mente.
Contudo, adverte: “Mas como enfatizam os médicos que tratam pacientes vítimas de efeitos colaterais de vícios capitais, é importante saber até onde se permitir pecar. Basta vontade e esforço para controlar desejos e ânsias.”
Edmour Saiani observa que embora o mundo tenha mudado, “a humanidade ainda vive em torno de pecados e penitências. Todo mundo sabe que o caminho do céu tem a ver com não cometer pecados. Mas o difícil é não cometê-los".
Finalmente, vale citar Frei Betto, que faz uma viagem pelos pecados capitais no mundo contemporâneo: “Todos os pecados capitais, sem exceção, são tidos como virtudes nessa sociedade neoliberal corroída pelo afã consumista".
A inveja é estimulada no anúncio da moça que, agora, possui um carro melhor do que o de seu vizinho. A avareza é o mote das cadernetas de poupança. A cobiça inspira todas as peças publicitárias, do carnaval a bordo no Caribe ao tênis de grife das crianças. O orgulho é sinal de sucesso dos executivos bem-sucedidos, que possuem lindas secretárias e planos de saúde eterna. A preguiça fica por conta das confortáveis sandálias que nos fazem relaxar, cercados de afeto, numa lancha ao sol. A luxúria é marca registrada da maioria dos clipes publicitários, em que jovens esbeltos e garotas esculturais desfrutam uma vida saudável e feliz ao consumirem bebidas, cigarros, roupas e cosméticos. Enfim, a gula subverte a alimentação infantil na forma de chocolates, refrescos, biscoitos e margarinas, induzindo-nos a crer que sabores são prenúncios de amores.”
“Há nas tradições religiosas uma sabedoria de vida. Despidos de preconceitos, se refletirmos bem sobre os sete pecados capitais veremos que cada um deles se refere a uma tendência egoísta que traz frustração e infelicidade.”