Nasceram no dia 20 de junho dois filhotes de onças-pintadas em um cativeiro de um parque em Marechal Floriano, Região Serrana do Espírito Santo. A notícia agitou o local, já que este ano ambientalistas alertaram que o animal, de nome científico Panthera onca, está na lista de risco de extinção no Brasil.
De acordo com informações divulgadas pelo Zoo Park, a reprodução em cativeiro é considerada rara, já que é preciso que os animais estejam em um ambiente adequado, livre de estresse e que o casal tenha afinidade. Os dois irmãos são filhos da onça-pintada Tupã e do macho Negão, que morreu antes de ver os filhotes.
Negão, que era uma onça-preta deixou a genética reforçada em um dos filhotes. A variação de pelagem é chamada de melanismo — fenômeno caracterizado pela produção excessiva, concentrada e considerável do pigmento negro, a melanina.
O primeiro a nascer foi o pintado, batizado de Porã. Cerca de 20 minutos depois nasceu o preto, Rudá. Os nomes foram escolhidos após votação em A Gazeta, no zoológico e pelas redes sociais. A gestação das onças dura de 90 a 110 dias. Os irmãos já passaram por avaliações de veterinários e estão adaptados ao zoológico.
LADO FEROZ
Segundo o parque, os filhotes são brincalhões e sadios, e já mostram um lado feroz — um exemplo é que já começaram a comer carne moída. Pouco mais de dois meses após nascerem, eles tomaram o primeiro banho sob o olhar atento da mamãe onça, que chegou a retirar um dos filhotes da água.
No Brasil, esse é o terceiro nascimento de onças-pintadas em cativeiro em 2019. Os outros foram em Goiânia (GO) e em Foz do Iguaçu (PR). Os pequenos felinos foram avaliados pela equipe de profissionais do zoológico quando tinham 45 dias de vida. Na ocasião, já pesavam 3,9 e 4 quilos.
FILHOTES CAPIXABAS
A veterinária Kristal Furno informou que no Brasil há uma única espécie de onça-pintada. "A população de felinos em cada um desses biomas sofre diferentes tipos e níveis de ameaças, por isso é importante a reprodução em cativeiro. E quando isso acontece, como é o nosso caso no zoológico, é um dos indicadores de que os animais estão sendo bem tratados e com o ambiente adaptado a eles", disse.
REPRODUÇÃO EM CATIVEIRO É DIFÍCIL
A reprodução em cativeiro dessa espécia não é fácil. A bióloga Thatiane Lázaro pontuou que é preciso de manejo e muito cuidado, pois é natural da mamãe onça comer os filhotes, principalmente por estresse ou medo — um dos motivos de os filhotes ainda não estarem disponíveis para serem vistos no local.
Ainda segundo a bióloga, a reprodução em cativeiro contribui muito para a conservação da espécie. “Esses filhotes podem fornecer material genético para projetos de pesquisa que trabalham nessa causa, tentando a reintrodução de animais em vida livre”, detalhou.
O período de aproximação entre o macho e a fêmea demorou, aproximadamente, seis meses até a total interação entre eles. A equipe técnica, composta pela bióloga Thatiane, a veterinária Kristal e o veterinário Eduardo Lázaro de Faria da Silva, acompanhou desde a cópula ate os primeiros sinais de contração.
Foram instaladas câmeras na área de manejo, onde todo o parto, bem como os primeiros cuidados da mãe com os filhotes foram acompanhados.
"Ficamos 24 horas de plantão, monitorando os filhotes e acompanhando todo comportamento da mãe, que é uma mãezona"
PRESERVAÇÃO DE ESPÉCIE
Conforme relatou a gestora do Zoo Park da Montanha, Rosângela Vieira, o objetivo é continuar contribuindo com a preservação da espécie, com a reprodução de mais onças.
“Temos mais uma onça, a Tainá, que queremos que reproduza também. Uma das funções dos zoológicos é a manutenção de espécies. E se conseguirmos reproduzir mais onças-pintadas, podemos enviar para outros locais no Brasil que trabalham na manutenção da espécie”, contou Rosângela.