Que a democracia representativa está em crise, ninguém duvida. E não só no Brasil. Em grande parte dos países diminui gradativamente a participação popular nas eleições, evidenciando o desencanto de boa parte da população com o valor do voto e a perda de representatividade dos partidos e dos políticos.
Razões para isto existem de sobra. É evidente o enfraquecimento do vínculo entre o povo e os governantes decorrente, principalmente, das promessas eleitorais não cumpridas. As pessoas, em sua maioria, também não se sentem representadas pelos governos, parlamentos e pelos partidos políticos, e se consideram desprestigiadas e abandonadas à própria sorte.
A ministra Carmen Lúcia, do STF, diz que a situação da democracia representativa brasileira é ainda mais grave por causa da “atomização de ideias” causada pela existência mais de 30 partidos políticos, que poucas diferenças guardam entre si. “Precisamos de partidos programáticos e não de partidos pragmáticos”, diz ela.
Não é sem razão que o eleitor brasileiro admite preferir votar em candidatos, sem levar em consideração os partidos a que eles pertencem. A ministra lembra também que, no Brasil, há “um déficit de educação política” que ainda está longe de ser superado.
Não é sem razão que o eleitor brasileiro admite preferir votar em candidatos, sem levar em consideração os partidos a que eles pertencem
Acrescente-se que o nosso sistema político foi impregnado pela corrupção que, como disse o ministro do STF Luís Roberto Barroso, é “sistêmica e endêmica”, “um modo e conduzir o país”. Corrupção que, embora combatida valentemente pela Operação Lava Jato, enfrenta a reação organizada de muitos políticos e partidos que defendem abertamente indultos e liberdade para presos condenados e restrições às investigações do Ministério Público.
Contudo, apesar de todas as razões que justificam o desencanto da população, não há solução para os problemas da sociedade fora da política e da democracia. Como costuma repetir o governador Paulo Hartung, “a democracia é um caminho duro e com obstáculos, mas é o único e precisa ser fortalecido”. E, como salienta o professor Dominique Rousseau, a crise da democracia representativa “não representa saudosismo por modelos antidemocráticos já superados, mas o autêntico desejo por uma democracia nova, melhor e mais justa”.
Se assim é, todos nós devemos exercer amanhã, 7 de outubro, o nosso direito e dever de, como cidadão, participar do momento mais importante da democracia que é o do voto. Que Deus nos ilumine nas escolhas que faremos e faça com que os candidatos que forem eleitos sejam capazes de corresponder à confiança que neles estaremos depositando.