Em nosso cotidiano de redes sociais ou, ainda, de articulista de A Gazeta, sempre tiro um tempo para ler os comentários. Quase sempre, ou na sua maioria, eles estão carregados de julgamentos baseados em suposições e interpretações infundadas da não leitura do todo. Alguém já dizia que as redes sociais são os novos tribunais de inquisição e que nas mesmas redes todos são juízes, juízes da metade.
A propósito, desde que comecei a me especializar em Influência Digital pela PUCRS e me debrucei sobre o tema, pesquisas, escritos, me atentei para a chamada “Cultura da Metade”. Não lemos mais as matérias na sua integridade, mas na sua superficialidade. Aliás, imagino que já saímos da “Cultura da Metade”, para a “Cultura do um Quinto”. Fato: cada vez lemos ou somos menos lidos e, consequentemente, mais julgados por inverdades.
"Talvez estejamos caminhando para sermos apenas metade de nós mesmos, ao invés de sermos seres da totalidade: seres fracos e fortes; limitados e promissores "
Fruto dessa abordagem são as chamadas “fake news”. Na minha visão, um nome bonito e de efeito para nomear as fofocas. Todas as fofocas são infundadas, ou fundadas na superficialidade das deduções, do “eu acho”, e das minhas convicções. Se antes a “notícia ruim” (fofoca) chegava rápido, hoje ela conta com o recursos velozes dos aplicativos de mensagens, montagens, adulterações para serem proferidas e proliferadas.
Assim, a função do jornal sempre foi questionada: vai continuar ou será suprimida com o advento da internet? O impressionante é que o papel do jornal não é o que está escrito em um jornal de papel, mas o serviço que é prestado pelo jornalismo, que nos dias de hoje tem assumido ainda mais sua função de apurar para dizer se é fato ou é fake.
Ainda assim, a força das redes sociais colocam em cheque esse serviço ganhando, muitas vezes, o honorífico de “jornal ou imprensa ideológica”. A verdade única é: receber as minhas convicções no aplicativo de celular é melhor do que as minhas contradições. Que tempos!
Sempre que me deparo com um cenário como esse, me pergunto e te faço perguntar: Para onde vamos? Será que estamos na Idade Mídia ou na Idade Média? Estamos progredindo ou regredindo? Para onde caminha a sociedade de “juízes pela e da metade”? Talvez estejamos caminhando para sermos apenas metade de nós mesmos, ao invés de sermos seres da totalidade: seres fracos e fortes; limitados e promissores.