Todos nós vivermos em sociedade e, portanto, somos seres sociais. Certo? Nem tanto! Apesar de dependermos uns dos outros para trabalhar, produzir e viver estamos assistindo todos os dias discursos e atitudes que mostram o contrário.
Até mesmo as consequências de ações coletivas, como a violência, acidentes de trânsito, vagas de emprego, entre outros, são vistos como problemas individuais. Para esta forma de pensar, a solução deve ser encontrada pelo próprio indivíduo, como se estes não fossem, também, problemas que afetam a todos.
Os interesses individuais tomaram a vida pública e passaram a depor contra a agenda pautada nos interesses coletivos dos cidadãos. No meio político, por exemplo, temos legítimos representantes eleitos pelo processo democrático, que são defensores dos interesses próprios e não do cidadão. Muitos destes, por ironia, pregam contra a vida coletiva e defendem o fim do Estado.
Veja o caso da jovem de 26 anos que caiu, foi atropelada e morreu ao desviar de um buraco na Avenida Carlos Lindenberg, em Vila Velha. Perda terrível! Irreparável! Quem irá ser responsabilizado? Ou seria este só um descuido, um acidente, uma fatalidade ou coisa do destino? Ou ainda um engano ou falta de competência do condutor? Pode ser este um problema somente individual? Ou faltou ação da prefeitura na manutenção das vias?
Um buraco na pista exige um comportamento individual do condutor. Ele deve desviar e andar com mais cautela. Mas é também verdade que não deveria ter buraco nas avenidas da cidade. Aqueles que fiscalizam ou até mesmo executam deveriam ter resolvido problemas como este.
Afinal, não cabe ao Estado garantir ao cidadão o direito de andar em ruas com condições adequadas de uso e segurança? Casos como a perda da vida desta jovem revelam o quanto podemos ser afetados pelas consequências de má gestão pública, problemas sociais ou econômicos.
A falta de reconhecer que as soluções devem tomadas em favor da coletividade. A indiferença crescente frente à responsabilidade pelos problemas nas cidades já era uma preocupação do teórico da democracia Alexis Tocqueville.
Segundo ele, o indivíduo é o pior inimigo do cidadão. Ele defende que existe na democracia o risco da indiferença das pessoas frente às questões sociais. Mas viver em sociedade exige responsabilidade de todos nós, participação e resolutividade da parte de nossos representantes eleitos.