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Novo álbum

O exemplo de Zélia Duncan

“Eu Sou Mulher, Eu Sou Feliz”, feito em parceria com outras cantoras,  traz  repertório inédito sobre direitos e grandezas da mulher

Publicado em 15 de Dezembro de 2019 às 05:00

Públicado em 

15 dez 2019 às 05:00
Marcus Faustini

Colunista

Marcus Faustini

Ana Costa e Zélia Duncan criaram álbum em parceria  Crédito: Divulgação | Jorge Bispo
Zélia Duncan fecha o ano de 2019 lançando um álbum de canções inéditas que é uma daquelas preciosidades imperdíveis. Bom de ouvir e criado com um excelente propósito. Além de uma delicada experiência musical, é um farol sobre ativismo pelos direitos das mulheres. Mauro Ferreira classificou o álbum como feliz-manifesto, atribuindo cinco estrelas em sua coluna no site G1.
Zélia, aos 55 anos, e com quase 40 anos de carreira, costuma dizer que tem couro de anta pra aguentar os ataques à voz que empresta na defesa de causas que realiza nas redes sociais. Essa vontade de doar a voz e toda sua capacidade criadora para as lutas dos direitos das mulheres foi o disparador do álbum “Eu Sou Mulher, Eu Sou Feliz”.
O álbum novo foi concebido junto com a sambista Ana Costa (na foto com Zélia), sua parceira antiga. A primeira canção que fizeram foi sobre um dia na vida de uma mulher. Nesse momento, Zélia percebeu ter encontrado um caminho para expressar todo o aprendizado que teve com as vozes do feminismo nos últimos anos. São dez canções no total. Num “delírio de criação”, chegaram a compor duas, três músicas por dia.
Ana e Zélia convidaram parceiras poderosas para interpretá-las. Estão no disco Alcione, Áurea Martins, Cida Moreira, Daniela Mercury, Elba Ramalho, Fabiana Cozza, Fernanda Takai, Isabella Taviani, Joyce Moreno, Júlia Vargas, Leila Pinheiro, Lucina, Maíra Freitas, Marina Íris, Mart’nália, Mônica Salmaso, Nath Rodrigues, Slam das Minas-RJ, Simone e Teresa Cristina. Esse elenco de grandes nomes, de gerações diferentes, empresta voz e corpo para as músicas que contam a experiência de nascer mulher. Bia Paes Leme foi a produtora musical. Sem exageros, é uma obra exemplar. Mostra a força mobilizadora e o compromisso dessas artistas brasileiras que não aceitam um mundo de silenciamento das mulheres.
Tive a sorte, ao longo de 2019, de conviver com Zélia e acompanhar sua militância e criatividade. Se num futuro mais promissor para as artes no Brasil alguém escrever um livro sobre como artistas resistiram e inventaram nesses tempos atuais de ataques do governo federal à cultura, certamente Zélia Duncan estará no inventário de exemplos dignos e de excelência artística.

Marcus Faustini

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