Recém-empossada presidente estadual do PT, no dia 13 de dezembro, Jackeline Rocha tem consciência de que as eleições municipais deste ano serão decisivas para o seu partido recuperar o prestígio e o espaço político perdidos no Brasil inteiro desde 2016. No Espírito Santo não é diferente. Por isso, a sucessora de João Coser na presidência estadual estabelece algumas metas para lá de audaciosas. A primeira delas: eleger o prefeito de pelo menos 20 dos 78 municípios capixabas.
A meta, em outras circunstâncias – digamos, no apogeu do partido, há cerca de dez anos –, já soaria ousada o bastante. Mas a realidade atual a torna ainda mais utópica e mais difícil de alcançar: desde 2016, o PT só tem um prefeito no Espírito Santo, no pequeno município de Barra de São Francisco – além de quatro vice-prefeitos.
Passar de um para 20 parece um objetivo inalcançável, inverossímil até, mas isso não parece abalar a confiança da nova presidente.
“Acreditamos que é possível chegar ao número de 20. Queremos eleger pelo menos 20 prefeituras em nível municipal. Meta é meta.”
Conforme assegura Jackeline, o PT lançará candidato próprio a prefeito nas cinco cidades da Grande Vitória, nas principais cidades-polos do interior (Cachoeiro, Colatina, Linhares e São Mateus) e em outros municípios já administrados pelo partido, como Ecoporanga, além de reeleger o prefeito de Barra de São Francisco.
“Principalmente neste momento eleitoral, temos um objetivo, que é fazer uma bancada expressiva nos municípios, além de vices e prefeitos. O PT já ocupou espaços importantes, já governou a Capital três vezes [um mandato de Vitor Buaiz e dois de João Coser]. São municípios onde vamos buscar prioridade e recuperar o nosso protagonismo”, afirma Jackeline.
Os nomes dos candidatos ainda não foram definidos. Segundo ela, isso só deve ocorrer de março para abril. Nos municípios com mais de 100 mil eleitores, o diretório nacional do PT resolveu avocar para si a decisão sobre os nomes e as estratégias. Ou seja, o martelo será batido por Gleisi Hoffmann e companhia. Mas Jackeline afiança: “A projeção é lançar candidatura própria em todos os municípios nesse recorte”.
OS PLANOS PARA A GRANDE VITÓRIA
Na Grande Vitória, como vimos, o PT quer disputar a prefeitura de todas as cidades. “Vamos conseguir um bom desempenho”, aposta a nova presidente estadual, repetindo o otimismo expressado em todas as respostas da entrevista. Em Vitória, a própria Jackeline desponta como pré-candidata. E não desmente a especulação.
“Isso depende muito da decisão do partido. Tanto para a direção nacional como para a estadual, eu disse o tempo todo que estou à disposição para contribuir, organizando o partido para as eleições, mas não só isso. Em Vitória, vamos construir uma boa chapa de vereadores, com nomes fortes e competitivos, para que a gente possa ter a força de discutir projeto na majoritária. Na nossa capital, o PT sempre teve a marca da ousadia. As gestões de Vitor Buaiz e de João Coser foram gestões referenciais, mais lembradas positivamente que negativamente.”
Já em Cariacica, Jackeline defende que Helder Salomão – único deputado federal do PT do Espírito Santo hoje – abrace a candidatura a prefeito da cidade, já governada por ele por dois mandatos, de 2005 a 2012.
“Helder é a maior liderança que temos hoje no sentido de voz, voto e representação, para dentro e para fora do partido, como deputado federal. As pessoas respeitam muito a sua administração em Cariacica, até os adversários. Sem dúvida alguma, se Helder quiser ser o candidato e se a direção nacional do PT entender que ele deve conduzir esse processo em Cariacica, terá o nosso total empenho em sua candidatura.”
ELEIÇÃO DE VEREADORES
A meta audaciosa na eleição majoritária vem acompanhada de outra igualmente arrojada (e talvez, igualmente, exagerada) na proporcional: “Queremos eleger, no mínimo, de um a dois vereadores em cada município do Estado”, diz ela. Na pior hipótese, segundo essa projeção, o partido entrará em 2021 com 78 edis espalhados pelo Espírito Santo; no limite, chegará a 156.
Ocorre que a última eleição municipal também foi devastadora para o PT nas câmaras municipais, como a própria dirigente reconhece: “O resultado da eleição de 2016 levou a uma diminuição drástica da nossa bancada”.
Por volta de 2008, o PT chegou a ter perto de 80 vereadores no Estado, rememora Jackeline. Hoje, soma apenas 28. Isso significa que, em outubro, a dirigente espera, no mínimo, triplicar o número atual.
O desempenho ruim nas urnas em 2016 se reflete na Grande Vitória, onde, hoje em dia, o partido de Lula tem somente três vereadores, sendo um em Viana, um em Cariacica e um na Serra. Não tem representante algum nem na Câmara de Vila Velha nem na de Vitória – quadro que a dirigente também pretende reverter.
“Queremos fazer muitos vereadores em todo o Estado. A nossa prioridade, no momento, é formar chapas completas de vereadores e fortalecer essas chapas em todos os municípios. Na Grande Vitória, nosso primeiro dever de casa é buscar eleger pelo menos de dois a três vereadores em cada município. Em breve vamos reunir os presidentes municipais do PT na Grande Vitória para conversar sobre a formação de chapas fortes a vereador.”
As chapas terão mesmo que ser completas devido ao fim das coligações nas eleições de vereadores e de deputados. Cada partido terá que sair sozinho, preenchendo toda a chapa com quadros próprios. Nada, pondera Jackeline, com que o PT já não tenha se acostumado. Nos últimos anos, quase nenhum outro partido topava coligar-se com o PT, que assim precisou aprender a “sobreviver no isolamento” – expressão usada por ela. “Agora, com o fim das coligações, é como se tirassem o bode da sala.”
DIRETÓRIOS MUNICIPAIS
O PT-ES já chegou a ter diretórios em todos os 78 municípios. Hoje, há 52 diretórios municipais. Nas demais cidades, as executivas são provisórias.
O NOVO CARGO DE COSER
Antecessor de Jackeline Rocha na presidência, apoiador de Jackeline na última convenção estadual do PT contra Helder Salomão e 1º suplente de Helder na Câmara dos Deputados, João Coser assumiu o cargo de secretário de Organização na executiva estadual do PT, no lugar de Fernanda Souza (secretária estadual de Trabalho em parte do último governo Paulo Hartung).