Nos últimos dois anos, a economia mundial tem sido afetada por disputas comerciais que geram instabilidade no mercado internacional. Primeiro, em 2018 e 2019, com o acirramento das disputas comerciais entre China e Estados Unidos. Segundo, em 2019, devido à incerteza quanto a separação Reino Unido e União Europeia.
A consequência imediata gerada é o aumento da instabilidade nos mercados financeiros internacionais e a queda do crescimento dessas economias. Essa queda é propagada para o resto do mundo via comércio (essa propagação sendo mais forte quão mais forte for a relação comercial).
No caso do Brasil, China, EUA e União Europeia são, respectivamente, o primeiro, o segundo e o quarto parceiros comerciais brasileiros. Uma queda do crescimento desses países/regiões reduz o volume e os preços das nossas exportações, levando a recessão no crescimento da economia brasileira.
No caso do Espírito Santo, o efeito sobre o crescimento tende a ser ainda maior, pois o Estado exporta majoritariamente commodities (café, minério de ferro, aço, celulose, rochas, frutas etc) e esses produtos têm preços mais sensíveis à queda do crescimento mundial.
Em relação ao mercado financeiro, a instabilidade provocada pelas disputas comerciais gera perdas de valor dos ativos em todo o mundo. Buscando se proteger da maior instabilidade, o capital busca países mais maduros e estáveis, como os EUA. A saída do capital dos demais países em busca dos EUA leva a uma depreciação das moedas locais e a uma queda do valor dos ativos domésticos.
A intuição para o efeito descrito no parágrafo anterior é simples. Vamos pensar no mercado brasileiro. Para ir em busca de economias maduras onde o risco é menor, o capital investido no Brasil deve vender os ativos domésticos e comprar moeda estrangeira (dólar). Com isso, o dólar sobe e os ativos domésticos sofrem desvalorização.
Disputas comerciais tendem a reduzir o crescimento, desvalorizar as moedas e os ativos brasileiros. Finalmente, com a perspectivas de vendas menores e ativos menos valorizados, caem também os investimentos das empresas brasileiras, levando à diminuição do nosso crescimento.
*O autor é economista-chefe da Apex Partners