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Leonel Ximenes

"Nenhum povo está condenado a viver eternamente sob a corrupção"

Ex-promotor do MPES, Marcelo Zenkner diz que há países que possuíam índices de percepção da corrupção muito piores que os do Brasil que conseguiram superar as adversidades

Publicado em 02 de Maio de 2019 às 18:56

Públicado em 

02 mai 2019 às 18:56
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

Zenkner: "A primeira pessoa a ocupar no Brasil o cargo que hoje equivale ao de ministro da Justiça foi um condenado por corrupção em Portugal" Crédito: Findes
Ex-promotor do Ministério Público Estadual, Marcelo Zenkner deixou uma carreira de 22 anos para integrar o Comitê de Medidas Disciplinares da Petrobras, colegiado ligado diretamente ao Conselho de Administração da empresa. Ele acaba de lançar o livro “Integridade Governamental e Empresarial”, onde discorre sobre sua especialidade: o combate à corrupção. "Há países que possuíam índices de percepção da corrupção muito piores que os do Brasil que conseguiram superar as adversidades e que hoje possuem excelentes índices de desenvolvimento humano", observa.
Além do lucro, as empresas deveriam se preocupar mais com programas de integridade e com a ética?
A integridade não é a antítese do lucro, ao contrário. Pesquisas recentes demonstram que as empresas consideradas como sendo as mais éticas do mundo, nos últimos três anos, superaram a média de capitalização das demais em 10,5%. Os consumidores do século XXI estão, inclusive, dispostos a pagar um preço superior por produtos de empresas que assumam compromissos anticorrupção, sejam transparentes e não poluam o planeta.
O sr. recentemente deixou uma carreira estável de promotor no Ministério Público Estadual para atuar como advogado e, ao mesmo tempo, no comitê anticorrupção da Petrobras. Trocou o certo pelo duvidoso?
Acho que cumpri bem o meu papel no MP. Em minha ficha funcional há apenas elogios e registros de bons serviços prestados à sociedade capixaba durante quase 22 anos, inclusive durante as operações mais intensas do crime organizado em nosso Estado. Agora, no auge da minha produção, eu precisava de novos desafios profissionais. Tenho meu escritório para trabalhar como advogado e ainda tenho a satisfação de atuar em prol do fortalecimento do sistema de integridade de uma das maiores companhias do mundo no setor de petróleo e gás. Como diz Mario Sérgio Cortella, “emprego é fonte de renda, trabalho é fonte de vida”. Meu trabalho atual me dá vitalidade e motivação, e é isso que me faz feliz.
Dá pra combater a corrupção numa empresa controlada pelo governo, como a Petrobras?
Encontrei na Petrobras profissionais altamente competentes e com muita disposição de fazer a coisa certa. A empresa percebeu, em razão da turbulência por que passou, que o Mundo mudou e que, se a integridade não for o seu guia, ela perderá competitividade e valor de mercado. Algumas instituições públicas ainda não entenderam essa nova dinâmica e, por isso, enfrentam uma crise de credibilidade e respeitabilidade que tende a se agravar. Se não abrirem os olhos rapidamente, perderão muitas das prerrogativas que, ao longo de décadas, conquistaram a duras penas.
Em seu livro recém-lançado, o sr. diz que leis, normas e regulamentos não são suficientes para controlar o governo e o tamanho do Estado. O que é mais preciso?
De um aprimoramento cultural. De nada adianta um amplo conjunto normativo se ele não vem acompanhado de um sistema de responsabilização ágil, imparcial e proporcional. Ao mesmo tempo, é fundamental que a meritocracia prevaleça dentro de qualquer organização, seja ela pública ou privada. Assim, aqueles que têm compromisso com a integridade e produzem os melhores resultados passarão a ser valorizados e, ao mesmo tempo, será transmitida aos demais empregados ou funcionários públicos uma mensagem altamente positiva no sentido de que a evolução profissional na carreira nada tem a ver com a leniência, a bajulação e a troca de favores.
A corrupção, o jeitinho e o levar vantagem em tudo não são parte integrantes da cultura brasileira?
A primeira pessoa a ocupar no Brasil o cargo que hoje equivale ao de ministro da Justiça foi um condenado por corrupção em Portugal. Entretanto, culpar nossa colonização pelos casos de corrupção que atualmente acontecem no Brasil é apenas uma forma de jogar para o passado os pecados do presente, ou seja, é apenas uma falsa justificativa para cruzar os braços ou manter privilégios. Nenhum povo está condenado a viver eternamente em um ambiente contaminado pela corrupção. Há países que possuíam índices de percepção da corrupção muito piores que os do Brasil que conseguiram superar as adversidades e que hoje possuem excelentes índices de desenvolvimento humano. Exatamente por oferecerem à comunidade internacional um ambiente negocial, público e privado, com balizas sedimentadas na integridade, são capazes de atrair grandes investimentos e, assim, oferecem melhores condições de vida à população.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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