Publicado em 21 de janeiro de 2024 às 13:46
Mais de um milhão de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) são passadas de uma pessoa para outra diariamente em todo o mundo, por meio de relações sexuais ou contato sexual, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).>
Essas infecções geralmente não apresentam sintomas e são difíceis de detectar. Mas quando se manifesta com certas doenças, elas apresentam sintomas específicos. >
As ISTs geralmente são transmitidas durante a relação sexual, mas às vezes podem ser causadas por outro contato sexual pele a pele.>
Algumas ISTs também podem ser transmitidas de mãe para filho durante a gravidez, o parto ou a amamentação.>
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Outras maneiras pelas quais essas infecções podem ser transmitidas incluem transfusões de sangue ou compartilhamento de agulhas.>
As ISTs podem potencialmente levar a resultados graves, incluindo câncer, dor pélvica crônica, gravidez ectópica e infertilidade.>
Existem mais de 30 bactérias, vírus e parasitas diferentes que podem ser transmitidos por contato sexual.>
Os indivíduos também podem ter várias ISTs ao mesmo tempo.>
As mais comuns são sífilis, gonorreia, clamídia e tricomoníase. Todas essas infecções são curáveis.>
As infecções sexualmente transmissíveis são geralmente assintomáticas ou podem causar apenas sintomas leves.>
É possível ter uma infecção sem saber.>
Mas mesmo sem sintomas, essas infecções podem ser transmitidas por meio de relações sexuais e ser prejudiciais.>
Se houver sintomas, podem incluir:>
Em 2020, a OMS estimou que ocorreram 374 milhões de novas infecções de pelo menos um dos quatro tipos mais comuns de IST: tricomoníase (156 milhões), clamídia (129 milhões), gonorreia (82 milhões) e sífilis (sete milhões).>
Estima-se que mais de 490 milhões de pessoas viviam com herpes genital em 2016, e estima-se que 300 milhões tenham uma infecção pelo papilomavírus humano (HPV), a principal causa de câncer do colo do útero em mulheres e câncer anal entre homens que fazem sexo com homens, de acordo com estatísticas da OMS.>
“Sexo é uma necessidade biológica. É como comer e beber, faz parte da natureza do ser humano”, afirma Teodora Elvira C. Wi, líder dos Programas Globais de HIV, Hepatites e ISTs da OMS.>
“Você faz sexo e quando faz sexo você pode ter ISTs. É por isso que o número de infecções é tão alto.”>
Wi também aponta para o fato de que, uma vez que as ISTs são frequentemente assintomáticas, as pessoas podem transmitir essas infecções sem saber.>
O risco de contrair uma IST aumenta devido à mudança de cultura em torno do sexo casual, às pessoas que têm acesso mais fácil ao sexo e têm mais do que um parceiro sexual ao mesmo tempo, e ao uso crescente de aplicativos de encontros, diz a especialista.>
Embora estudos recentes indiquem que o número de jovens adultos solteiros que praticam sexo casual diminuiu, há também uma redução no uso de preservativos.>
Wi enfatiza que quando não havia tratamento disponível para o HIV, as pessoas eram cautelosas em fazer sexo casual, especialmente sem preservativos.>
Ela frisa que muitas pessoas em muitas partes do mundo acreditam erroneamente que podem fazer o teste do HIV, tomar os seus medicamentos e depois ficar curadas. “Então, o uso de preservativos diminuiu”, diz ela.>
Em 2022, 1,3 milhão de pessoas foram recentemente infectadas pelo HIV, segundo dados da OMS.>
Mais de 600 mil pessoas ainda morrem todos os anos devido ao vírus porque não sabem que têm HIV e não estão em tratamento, ou porque iniciam o tratamento muito tardiamente, afirma a organização.>
“Por favor, usem camisinha. Isso é o que vai protegê-los de uma IST”, diz Wi.>
“Se você vai fazer sexo com alguém que não conhece ou se for sexo casual, você precisa ser responsável. É melhor você aprender como usar camisinha e como ter prazer com ela.”>
O uso correto de preservativos de látex reduz bastante, mas não elimina completamente, o risco de contrair ou transmitir ISTs, segundo os profissionais de saúde.>
Se o indivíduo for alérgico ao látex, o conselho é usar preservativos de poliuretano.>
Além disso, especialmente se forem detectados sintomas de IST, é crucial ir imediatamente a um médico para ser testado e tratado.>
“Não vá à farmácia onde vai fazer o autotratamento porque isso não vai te ajudar. Se você não for tratado adequadamente, isso poderá ter consequências graves, como infertilidade”, diz Wi.>
“Negligenciar as ISTs prejudica a saúde: podem causar doença inflamatória pélvica, resultados adversos na gravidez. Cerca de um a dois milhões de novos casos de infertilidade resultam anualmente de novas infecções por gonorreia ou clamídia em mulheres que não são tratadas”, diz ela.>
A sífilis na gravidez leva a mais de 355 mil resultados adversos no nascimento todos os anos, incluindo cerca de 61.000 mortes neonatais, e o HPV causa aproximadamente 342 mil mortes por câncer de colo do útero anualmente, acrescenta a especialista.>
As infecções sexualmente transmissíveis causadas por bactérias ou parasitas podem ser tratadas com antibióticos, mas não há cura para as IST causadas por vírus, como herpes ou HPV.>
No entanto, os medicamentos podem ajudar com os sintomas e diminuir o risco de propagação da infecção.>
Existem também vacinas para prevenir HPV e hepatite B.>
Wi diz que a OMS estuda o desenvolvimento de uma vacina contra a gonorreia e também tem sido desenvolvida uma vacina terapêutica para o herpes genital, com um mecanismo semelhante às vacinas de mRNA utilizadas na Covid 19, acrescenta ela.>
A especialista também afirma que estão sendo feitos trabalhos iniciais para desenvolver uma vacina contra a clamídia, assim como uma investigação inicial para possíveis mecanismos para desenvolver uma vacina contra a sífilis.>
Na maior parte do mundo, o financiamento para programas governamentais de prevenção e controle das ISTs é limitado.>
“Por causa da estigmatização das ISTs, isso não é priorizado”, diz Wi.>
Ela enfatiza que os governos devem proporcionar um acesso mais fácil e mais acessível aos serviços de saúde e fornecer maior financiamento para o desenvolvimento de ferramentas para o diagnóstico e o tratamento de ISTs comuns - como testes rápidos no local de atendimento e vacinas.>
“As ISTs são totalmente negligenciadas como doenças infecciosas. Precisamos reduzir o estigma em torno delas e tratá-las como qualquer outra infecção”, diz ela.>
Enquanto muitos países negligenciam essas infecções, como aponta a especialista, o Brasil possui programas de prevenção e tratamento de IST por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), que permitem fazer exames e tratamentos por meio do sistema público. >
Há, por exemplo, distribuição gratuita de medicamentos, como para o tratamento de HIV ou para prevenção contra o vírus, a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição), e vacinação contra o HPV.>
De acordo o Ministério da Saúde, o SUS oferece gratuitamente testes para diagnóstico do HIV, e também para diagnóstico da sífilis e das hepatites B e C. Existem, no Brasil, dois tipos de testes: os exames laboratoriais e os testes rápidos.>
Os testes rápidos são práticos e de fácil execução; podem ser realizados com a coleta de uma gota de sangue na ponta do dedo ou ainda pode ser amostra de fluido oral, e fornecem o resultado em, no máximo, 30 minutos. Para os exames laboratoriais o serviço realiza a coleta de sangue venoso (da veia) e encaminha para o laboratório processar.>
Esses exames podem ser feitos em uma unidade básica de saúde da rede pública ou nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA).>
Além da coleta e da execução dos testes, há um processo de aconselhamento, para facilitar a correta interpretação do resultado pelo usuário. Também é possível consultar onde fazer o teste pelo Disque Saúde (136).>
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