Publicado em 12 de fevereiro de 2023 às 13:49
O número de mortos do terremoto que abalou a Turquia e a Síria na segunda-feira (6) subiu para 33.179 neste domingo (12), conforme dados oficiais.>
O tremor de magnitude 7,8 deixou 29.605 mortos no sul da Turquia, anunciou a agência pública de gestão de catástrofes do país, aos quais se somam 3.574 óbitos registrados na Síria.>
Com a marca, a Turquia se aproxima de seu recorde histórico: 33 mil perderam suas vidas no terremoto de 1939.>
Quase uma semana após a tragédia, as equipes de resgate ainda tentam encontrar pessoas com vida sob os escombros, e as autoridades turcas iniciaram ações legais contra empreiteiros de prédios que desabaram.>
>
A qualidade das construções em um país localizado em várias falhas sísmicas entrou na pauta do dia após o terremoto.>
O vice-presidente Fuat Oktay disse que até agora 131 suspeitos foram identificados como responsáveis pelo desabamento de alguns dos milhares de edifícios destruídos nas dez províncias afetadas.>
"Vamos acompanhar isso meticulosamente até que o processo judicial necessário seja concluído, especialmente para edifícios que sofreram danos pesados e edifícios que causaram mortes e feridos", afirmou.>
Num cenário em que cidades viraram pó, os sobreviventes montaram barracas o mais próximo possível de suas casas danificadas ou destruídas para evitar que fossem saqueadas.>
Gizem, um socorrista na província de Sanliurfa, no sudeste turco, afirmou ter visto saqueadores na cidade de Antakya. "Não podemos intervir muito, já que a maioria dos saqueadores carrega facas.">
Um morador idoso de Kahramanmaras disse que joias de ouro em sua casa foram roubadas, enquanto na cidade portuária de Iskenderun a polícia se posicionou em cruzamentos de ruas comerciais com muitos telefones e joalherias.>
Recep Tayyip Erdogan, o presidente turco, alertou que os saqueadores serão severamente punidos.>
Ao longo da estrada principal que leva à cidade de Antakya, onde os poucos prédios que restaram tinham grandes rachaduras ou fachadas desmoronadas, o tráfego ocasionalmente parava enquanto as equipes de resgate pediam silêncio para detectar sinais de vida remanescente sob as ruínas.>
O terremoto ocorreu às prévias das eleições presidenciais e parlamentares de junho, na qual Erdogan concorre a um novo mandato. Mesmo antes do desastre, sua popularidade estava caindo devido ao aumento da inflação e à queda da moeda turca.>
Algumas pessoas afetadas pela tragédia e políticos da oposição acusam o governo de lentidão nos esforços de socorro. Críticos questionaram por que o Exército, que desempenhou um papel fundamental após o terremoto de 1999, não foi convocado antes.>
Erdogan reconheceu os problemas, como o desafio de entregar ajuda apesar das estradas e ruas danificadas, mas disse que a situação foi controlada. Ele pediu solidariedade e condenou a politicagem "negativa".>
Enquanto isso, na Síria, rebeldes da guerra civil que assola o país há 12 anos agora atrapalham o trabalho de socorro. A ajuda enviada de regiões controladas pelo governo para áreas sob o comando de grupos radicais de oposição foi retida por problemas de aprovação com o grupo islâmico Hayat Tahrir al-Sham (HTS), responsável por grande parte da área afetada pelo terremoto, disse a ONU neste domingo.>
Uma fonte do HTS em Idlib afirmou à agência de notícias Reuters que o grupo não permitiria nenhuma carga vinda do governo e que a ajuda viria da Turquia pelo norte. Segundo a fonte, a Turquia abriu todas as estradas e o grupo não vai permitir que o regime sírio se aproveite da situação para mostrar que está ajudando.>
O enviado da União Européia para a Síria instou neste domingo as autoridades em Damasco a "se envolverem de boa fé" com os trabalhadores humanitários. "É importante permitir o acesso desimpedido para que a ajuda chegue a todas as áreas onde ela é necessária", disse Dan Stoenescu.>
O terremoto é o sétimo desastre natural mais mortífero do mundo neste século. Na Turquia, segundo dados oficiais, 80 mil estão internados em hospitais e mais de 1 milhão de pessoas está em abrigos temporários.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta