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Encontro nos EUA

Lula diz que não discutiu com Trump sobre classificação de facções criminosas

Presidente disse que os dois debateram temas considerados tabus, entre eles o combate ao crime organizado e ao narcotráfico.

Publicado em 07 de Maio de 2026 às 17:27

ISABELLA MENON

Publicado em 

07 mai 2026 às 17:27

WASHINGTON - O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou após encontro na Casa Branca com seu homólogo americano, Donald Trump, que os dois não discutiram a designação do CV e do PCC como organizações terroristas.


"Não foi discutido isso", disse o líder brasileiro ao ser questionado sobre o assunto pela Folha.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Trump e Lula se reuniram nesta quinta-feira na Casa Branca.
Ricardo Stuckert/PR

Lula, entretanto, disse que os dois discutiram temas considerados tabus, entre eles o combate ao crime organizado e ao narcotráfico.


O brasileiro disse ter defendido ao presidente americano que a repressão isolada não resolve o problema da produção de drogas na América Latina. Para ele, é necessário criar alternativas econômicas para os países produtores. "Como você vai fazer um país deixar de produzir coca se você não oferece uma alternativa de produto para que alguém possa plantar e ganhar dinheiro?", disse ele.


Lula afirmou ainda ter proposto a criação de um grupo internacional de combate ao crime organizado, envolvendo países da América Latina e, possivelmente, outras nações, "quiçá de todo o mundo".


"Nós criamos uma base na cidade de Manaus para combater o crime organizado, o tráfico de armas e de drogas na fronteira brasileira, com a participação de delegados da polícia de todos os países da América do Sul. Se os EUA quiserem compartilhar e participar conosco, estarão convidados", afirmou Lula.


O petista afirmou que a reunião marcou "um passo importante" para fortalecer a relação histórica entre os dois países e defender o multilateralismo diante das tensões comerciais globais. "Saio daqui com a ideia de que nós demos um passo importante na consolidação da relação democrática histórica que o Brasil tem com os EUA", disse.


O presidente ressaltou que Brasil e EUA são "as duas maiores democracias do hemisfério" e afirmou que a boa relação entre os países pode servir de exemplo internacional. Segundo ele, o tema já havia sido tratado em conversa anterior com Trump, durante encontro na Malásia. "Somos duas democracias muito importantes, uma na América Latina e outra na América do Norte", declarou.


Lula também destacou a relevância histórica dos Estados Unidos para a economia brasileira, lembrando que, ao longo de boa parte do século 20, o país foi o principal parceiro comercial do Brasil. Ao mesmo tempo, criticou o que chamou de perda de interesse de Washington pela América Latina nas últimas décadas.


Segundo o presidente brasileiro, os EUA passaram a olhar a região principalmente sob a ótica do combate ao narcotráfico, enquanto deixaram de ampliar investimentos e parcerias econômicas.


"É importante que os EUA voltem a ter interesse nas coisas do Brasil", afirmou. "Muitas vezes fazemos licitações internacionais para rodovias ou ferrovias e os Estados Unidos não participam. Quem participa são os chineses."


Lula comparou ainda a postura americana à da União Europeia, dizendo que o bloco também teria reduzido sua atenção à América Latina após priorizar a expansão para o Leste Europeu. Para o presidente, o cenário internacional atual fez o mundo voltar a perceber a importância estratégica da região.


Durante a declaração, Lula afirmou que os dois governos fecharam acordos e reforçaram a defesa do multilateralismo, em meio às disputas comerciais recentes e às tarifas adotadas por Trump. "Isso dá a dimensão da defesa do multilateralismo contra o unilateralismo colocado em prática com as taxações do presidente Trump", disse.

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