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América Latina

Chile já avalia terceira dose e combinação de imunizantes contra a Covid

A medida foi anunciada pela subsecretária de Saúde Pública, Paula Daza; o país que mais vacinou na América Latina ainda não vê o número de casos caírem

Publicado em 21 de Junho de 2021 às 15:05

Agência FolhaPress

Publicado em 

21 jun 2021 às 15:05
Vacina AstraZeneca
O Chile avalia implementar a aplicação de uma terceira dose de imunizante para a população. Crédito: Ricardo Medeiros
País líder em vacinação contra a Covid-19 na América Latina, o Chile avalia implementar a aplicação de uma terceira dose de imunizante para a população diante da dificuldade de reduzir os números de contágios, mortes e internações.
A medida foi anunciada pela subsecretária de Saúde Pública, Paula Daza, na última sexta-feira (18). "Estamos apenas aguardando uma investigação científica que vem sendo realizada pela Universidade Católica". Já o infectologista Alexis Kalergis, que comanda a pesquisa, afirma que "a necessidade de usar uma terceira dose é quase certa, principalmente por conta da chegada das novas variantes".
Daza afirmou que o Ministério da Saúde do país analisa a possibilidade de oferecer uma terceira dose da Coronavac para quem tomou as duas doses. E quem tomou uma dose da AstraZeneca e tem menos de 60 anos poderá receber segunda e terceira dose do imunizante da Pfizer ou outro com base em RNA mensageiro (como o da Moderna).
Até o momento, o Chile aplicou a primeira dose em 63,4% da população (mais de 12 milhões de pessoas), e a segunda dose em 50% da população (9,4 milhões). Ainda assim, a ocupação de leitos de UTI segue acima de 90% em regiões que estão em alerta máximo, como a de Santiago, com mais de 8 milhões de habitantes.
O país já ultrapassou os 31 mil mortos por Covid e registrou 1,5 milhão de casos confirmados. As médias atuais de mortes têm sido maiores que as semanas com mais casos em 2020.
O governo também voltou atrás nas flexibilizações realizadas nos primeiros meses do ano e passou a escalonar restrições maiores ou menores nas áreas com mais casos novamente. Em Santiago, há toque de recolher e restrições à mobilidade. Aberturas comerciais retrocederam e não há atividade gastronômica. O país também está com as fronteiras fechadas, e os chilenos que regressam do exterior em voos especiais ou sanitários devem fazer cinco dias de quarentena em hotéis designados para isso, e outros cinco em casa, além de dois exames PCR –um na chegada e outro ao final do décimo dia.
Daza afirma que a definição sobre a necessidade da terceira dose ocorrerá em julho, depois da avaliação do Ministério da Saúde dos estudos científicos e das cifras de casos e internações. Já foi lançada, porém, uma nova estratégia de conscientização social para que as pessoas continuem se protegendo e evitando aglomerações clandestinas mesmo depois de terem tomado duas doses.
A campanha de vacinação no Chile começou em fevereiro. Até agora, 77% dos que foram vacinados receberam a Coronavac. Os demais imunizantes que vêm sendo usados são os da Pfizer e da AstraZeneca. Recentemente, o país começou a receber também as vacinas de Janssen e Cansino. Em negociação, está a compra de vacinas do laboratório Moderna.
Para o infectologista Pablo González, investigador da Universidade Católica, a "terceira dose pode não ter sido vislumbrada no começo, mas agora se vê necessária diante das novas variantes e com o passar do tempo. Tudo indica que uma pessoa que se vacinou com a Coronavac em fevereiro deveria receber uma terceira dose em setembro".
O ministro de Ciência, cuja pasta vem trabalhando junto com a da Saúde, Andrés Couve, afirmou que "o uso da terceira dose e como a ideia de combinar imunizantes de diferentes laboratórios já estão ocorrendo em outros países, por isso estamos trabalhando com essas possibilidades e não deixando de trazer mais imunizantes, embora em termos de quantidade o governo já tenha adquirido o suficiente para dar duas doses à população".
Para a chefe do departamento de epidemiologia da Universidad de los Andes de Santiago, é preciso reforçar as medidas de restrição. "As pessoas estão perdendo o respeito às medidas e não ficam em casa. As razões econômicas também começam a pesar", afirma.
Para a infectologista María Luz Endeiza, o uso de uma terceira dose pode ser necessário, mas ainda há tempo para que o impacto da vacinação ser sentido.
"Algumas mudanças já ocorreram. Hoje 85% dos internados em UTI são não vacinados e também são mais jovens, o que significa que as vacinas têm tido como resultado, por ora, em reduzir morte entre os mais idosos. Agora, é preciso avançar de acordo com a mudança da situação e da chegada das novas variantes."

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