Publicado em 24 de agosto de 2023 às 18:15
O ex-presidente Jair Bolsonaro enfrenta seu pior momento, com diversas acusações sendo feitas ao mesmo tempo contra ele - de caso das joias a tentativas de invadir urnas eletrônicas - além de continuar respondendo por uma série de processos em andamento.>
E a operação policial que cumpriu, nesta quinta-feira (25), mandados de busca e apreensão em endereços pertencentes a seu filho mais novo, Jair Renan Bolsonaro, deu destaque novamente ao fato de que não é apenas o patriarca da família que enfrenta problemas na Justiça. >
Veja as principais acusações e suspeitas criminais que pesam contra os filhos e a esposa de Bolsonaro.>
Flávio Bolsonaro foi acusado em 2020 pelo Ministério Público do Rio de Janeiro de praticar as chamadas "rachadinhas" - quando parlamentares se apropriam de dinheiro destinado a pagar salários de assessores. >
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Segundo o MPRJ, Flávio desviou mais de R$ 6 milhões da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro quando era deputado estadual. Hoje senador, Flávio nega irregularidades.>
O policial militar aposentado Fabrício Queiroz, que foi chefe de gabinete de Flávio, foi apontado como operador do esquema nessa denúncia. Ele também nega.>
As acusações foram por prática dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro, apropriação indébita e organização criminosa. Outros 15 ex-assessores de Flávio também foram denunciados.>
Após idas e vindas do caso na Justiça , a promotoria aguarda decisão do STJ sobre seu pedido que se retome o andamento do caso, que havia sido arquivado no TJ do Rio. >
O arquivamento aconteceu depois de decisões de cortes superiores que anularam provas apresentadas pelo MP por causa de circunstâncias envolvendo sua obtenção.>
O MP pediu que outras provas não atingidas pelas decisões sejam consideradas e que o caso volte à Justiça.>
O chamado inquérito das Fake News, que corre em sigilo no Supremo Tribunal Federal, recebeu em abril deste ano um pedido do ministro da Justiça Flávio Dino para inclusão de Eduardo e de Flávio Bolsonaro nas investigações sobre ataques a ministros da Corte e distribuição de notícias falsas na internet.>
Devido ao sigilo, não foi possível verificar se o ministro Alexandre de Moraes já analisou o pedido, mas seu gabinete não publicou nenhuma atualização sobre uma negativa até agora.>
Eduardo é alvo de uma investigação que corre na Procuradoria-Geral da República sobre a compra de dois imóveis no Rio de Janeiro pagos em dinheiro e por valores abaixo do que eram avaliados na época. >
O deputado já admitiu que fez pagamentos em dinheiro vivo, mas nunca explicou o uso. >
Uma reportagem do UOL feita em 2022 revelou que Bolsonaro, seus irmãos e filhos compraram pelo menos 51 imóveis com dinheiro vivo. >
O total do valor registrado em cartório foi de R$ 13 milhões, dos quais R$ 5,7 milhões foram pagos em cédulas - valor que com correções equivaleria hoje a R$ 11 milhões.>
Deputado Federal pelo PL de São Paulo, Eduardo também foi denunciado à PGR (Procuradoria-Geral da República) por colegas da Câmara por apologia à violência contra professores. Eduardo havia feito discurso contra professores e dito que alguns são "doutrinadores" e "piores que traficantes". >
A PGR ainda não abriu investigação, mas o Ministro da Justiça, Flávio Dino, disse que vai determinar que a Polícia Federal investigue.>
Carlos Bolsonaro também é investigado pelo Ministério Público do Rio por suspeita de operar um esquema de "rachadinhas" em seu gabinete de 2009 a 2018.>
Segundo um laudo do MP elaborado pelo Laboratório de Tecnologia de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro mais de R$ 2 milhões foram desviados. Carlos nega.>
Reportagem da revista Época revelou em 2019 que havia diversos funcionários nomeados para seu gabinete que nunca trabalharam no local. >
Um dos casos apontados envolve Marta Valle, cunhada de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente da República.>
Marta passou sete anos e quatro meses lotada no gabinete de Carlos Bolsonaro, mas afirmou ao veículo: "Não trabalhei em nenhum gabinete, não".>
Ao longo de 18 anos de mandato na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, Carlos empregou Ana Cristina e sete familiares dela.>
O jornal Folha de S.Paulo também encontrou uma mulher alocada no gabinete de Carlos Bolsonaro que afirmou à reportagem nunca ter trabalhado na função que lhe renderia R$ 4.271 por mês.>
O MP ainda não apresentou denúncia à Justiça sobre o caso.>
Os mandados de busca e apreensão que a PF cumpriu em imóveis de Jair Renan tiveram origem em duas operações que investigam suspeitos de crimes de falsidade ideológica, associação criminosa, estelionato, crimes contra a ordem tributária e lavagem de dinheiro.>
A TV Globo afirma que o principal alvo das operações é um instrutor de tiro e amigo de Jair Renan.>
A defesa de Jair Renan confirmou que houve mandado de busca e apreensão na residência do filho do ex-presidente. >
E incluiu que foram apreendidos um aparelho celular, um HD e papéis com anotações particulares. >
Esclareceu, ainda, que não houve condução de Renan "para depoimento ou qualquer outra medida".>
Disse, ainda, que "Renan informou estar surpreso, mas absolutamente tranquilo com o ocorrido".>
Esta não foi a primeira investigação envolvendo Renan. A Polícia Federal tem ainda uma investigação do filho mais novo de Bolsonaro por suspeitas de tráfico de influência. >
Ele foi acusado de ajudar empresas privadas a conseguirem espaço em agendas ministeriais em troca de vantagens pessoais. Renan negou que isso tivesse acontecido.>
A ex-primeira dama está envolvida no escândalo mais recente: das joias que foram dadas de presente pelos sauditas em 2021. >
O processo na Justiça envolve as circunstâncias nas quais joias dadas pelo governo da Arábia Saudita ao ex-presidente e à sua mulher entraram no Brasil.>
O caso foi revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo. Segundo as reportagens, a Receita Federal reteve um conjunto de joias dadas a Bolsonaro pelo regime saudita em 2021. >
No pacote havia um colar de diamantes, um anel, um relógio e um par de brincos, também de diamantes.>
As joias estavam na mochila de um assessor do então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, que tentou entrar no Brasil com o produto sem declarar os bens ao Fisco, livrando-se, assim, do pagamento dos impostos. >
Os itens também não foram registrados como presentes ao presidente em exercício, o que os tornaria isentos de impostos, mas propriedade da União. >
Depois disso, o governo enviou assessores a Guarulhos para tentar reaver as joias.>
Após a revelação feita pelo jornal, foi divulgada a existência de outros dois conjuntos de joias dados pela Arábia Saudita à família Bolsonaro.>
Em março, o Ministério da Justiça pediu a abertura de uma investigação para apurar possível cometimentos de crimes. >
Em entrevistas, Bolsonaro e sua defesa vem negando qualquer irregularidade em relação às joias. Segundo ele, todas as medidas relativas às joias teriam sido tomadas de forma legal.>
O ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, é considerado personagem central do escândalo. >
Ele está preso desde maio por suspeita de envolvimento em outro crime - inserção de dados falsos no sistema do Ministério da Saúde. >
O advogado de Cid, Cezar Bitencourt, disse à Veja que o militar tinha a intenção de confessar tentativas de vender as joias de forma ilegal e que era "apenas um assessor" que cumpria ordens do ex-presidente.>
Em entrevista posterior à GloboNews, Bitencourt afirmou que Bolsonaro pediu a seu cliente "para resolver o problema do Rolex" (um dos itens do suposto esquema) e que o dinheiro da venda do relógio foi dado ao presidente ou à Michelle. >
Cid está envolvido em outro caso que também envolve a ex-primeira-dama. >
Uma investigação autorizada pelo STF mapeia transações financeiras de Mauro Cid, incluindo recursos sacados de cartões corporativos e pagamentos em dinheiro de contas do clã presidencial - entre as contas, estava a fatura de um cartão de crédito usado por Michelle Bolsonaro mas emitido em nome de uma amiga, segundo reportagem do site Metrópoles. >
Michelle esteve ainda no centro do escândalo das "rachadinhas" envolvendo Bolsonaro, pois o Coaf identificou diversos depósitos suspeitos feitos em cheques em suas contas por Fabrício Queiroz entre 2011 e 2016. >
A defesa de Bolsonaro disse que os depósitos foram pagamentos por empréstimo, mas o valor somado dos inúmeros cheques depositados é de R$ 89 mil, mais que o dobro do empréstimo de R$ 40 mil que o presidente disse ter concedido a Queiroz no passado.>
Michelle também recebeu 45 depósitos que somaram R$ 60 mil em 2022, segundo documentos obtidos pela CPI de 8 de Janeiro. >
O valor foi depositado fracionado e em dinheiro, em envelopes, o que dificulta rastrear sua origem. >
A defesa da ex-primeira dama enviou uma nota ao G1 dizendo que as despesas dela são pagas com "os proventos do marido" e que as transferências foram compatíveis com seus gastos.>
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