As bicicletas elétricas estão ganhando espaço no cotidiano dos brasileiros, acompanhando o crescimento do mercado de veículos de duas rodas. Em agosto, as fabricantes de bicicletas elétricas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM) produziu 9.296 unidades, o equivalente a 26,2% do total mensal.
De acordo com a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), a categoria apresentou um crescimento de 83,1% em relação a agosto do ano passado. De janeiro a agosto, a produção de elétricas alcançou 52.403 unidades, correspondendo a 22,2% de todas as bicicletas fabricadas no PIM. O resultado representa uma alta de 78,3% em relação ao mesmo período do ano passado.
Com a expansão do segmento, aumenta também a variedade de modelos disponíveis e, para quem pretende aderir à modalidade, surge a dúvida:
Para quem pretende usá-la no trajeto até o trabalho, substituir o carro, a moto ou o transporte público, a autonomia da bateria é um dos principais pontos a considerar.
Se a distância percorrida for grande, o ideal é optar por uma bicicleta com duas baterias. Isso vale também para quem pretende trabalhar com entregas ou qualquer atividade que exija uma autonomia maior.
Johnny Marques, especialista em desenvolvimento de negócios da LAF Brasil.
Para quem busca a bicicleta elétrica para passeios, vale pensar também em quem vai acompanhá-lo durante o trajeto. Modelos com banco maior podem ser mais adequados para transportar outra pessoa, enquanto famílias com crianças devem verificar se o modelo escolhido permite o uso de cadeirinha infantil.
A geometria do quadro, a altura do banco, o tamanho da bicicleta e a facilidade para subir e descer também influenciam na escolha, especialmente para idosos, pessoas de baixa estatura ou com dificuldades motoras.
Além das características de quem vai pedalar, é preciso considerar o que a bicicleta terá de transportar. Se o modelo for usado para levar cargas ou outra pessoa, a potência do motor merece atenção, principalmente em trajetos com subidas.
“Não é só para compras. às vezes você vai carregar alguém na garupa e, às vezes, subir uma ladeira. Então, a bike precisa ser mais forte possível”, explica Rêner José, empresário da Bee Greenvix.
Segundo ele, a legislação estabelece limite de 1.000 watts de potência para que a bicicleta elétrica se enquadre nas regras aplicáveis à categoria, além de velocidade máxima assistida de 32 km/h e outras especificações. Na loja, a recomendação é considerar modelos mais potentes para quem precisa transportar peso ou enfrentar trajetos com inclinação.
Alguns acessórios e cuidados podem pesar na experiência de uso e costumam ser lembrados apenas depois da compra. Ghusttav Jorge, especialista em mobilidade elétrica e consultor da Inow Brasil, chama atenção para alguns deles:
- Proteção contra maresia: em regiões litorâneas, a umidade e a salinidade podem acelerar o desgaste de componentes. A limpeza adequada e o uso de produtos específicos ajudam a preservar a bicicleta.
- Lubrificação da corrente: o uso de óleo lubrificante adequado ajuda na conservação da corrente e deve fazer parte dos cuidados periódicos.
- Cuidados com os freios: produtos específicos para limpeza e proteção dos discos podem ajudar na conservação do sistema de frenagem.
- Revisão preventiva: quem usa a bicicleta com frequência deve verificar regularmente parafusos, sistema elétrico, módulo, bateria, freios e outros componentes. Uma referência indicada pelo especialista é fazer a revisão a cada 500 quilômetros, ajustando a frequência conforme a intensidade de uso.
- Acessórios básicos: capacete, cadeado e capa de chuva são itens que contribuem para a segurança e praticidade no uso cotidiano.
A manutenção preventiva também é fundamental, especialmente para quem utiliza a bicicleta diariamente. Ghusttav Jorge destaca que o ideal é realizar revisões periódicas, sem esperar que algum problema apareça para procurar uma oficina.
*Este conteúdo foi produzido por Patrick Mizrahi, residente do 29º Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta, sob orientação de Karine Nobre, editora de Motor.