Insegurança. Com essa palavra, o deputado estadual Marcelo Santos, um dos principais aliados e conselheiros políticos do presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso, define o que impulsionou Erick a realizar, no último dia 27, a eleição antecipada da Mesa Diretora que só tomaria posse no dia 1º de fevereiro de 2021. Segundo Marcelo, a decisão de realizar a eleição naquela manhã, considerada por ele um “erro crasso” na primeira parte da entrevista à coluna, foi tomada por conta própria pelo presidente da Assembleia, indo contra os conselhos dele mesmo. “Não teve dolo o erro do presidente. Foi um erro por conta de uma dúvida que ele tinha com relação ao futuro da própria Casa e ao futuro inclusive dele.”
Como reforça Marcelo, a eleição feita daquela maneira representou uma quebra de compromisso de Erick com o governador Renato Casagrande. Na noite da véspera, os chefes dos dois Poderes se reuniram no Palácio Anchieta, conversaram sobre o assunto e chegaram a duas opções de data, em 2020, para a eleição da Mesa: agosto, como queria Casagrande, ou fevereiro, como preferia Erick. “Quebrar acordo não é inteligente. E, no caso do Erick, foi uma decisão pela insegurança dele.”
Ao mesmo tempo em que não poupa Erick, Marcelo faz um desagravo ao deputado Enivaldo dos Anjos - que, assim como ele, é conselheiro do presidente e acompanhou de perto cada lance desta trama nos bastidores. Três dias após a eleição que surpreendeu o Palácio Anchieta, Enivaldo foi destituído da função de líder do governo. Para Marcelo, nesse caso, o “erro crasso” partiu do Executivo. “Naquele momento ali cometeram um erro crasso com o deputado Enivaldo, porque é um defensor intransigente do governo. Enivaldo pode ter todos os defeitos, mas ele não masca com a palavra dele.”
Apesar de tudo, Marcelo rechaça qualquer analogia com estratagemas políticos que marcaram a Era Gratz - para ele, um terceiro erro. “Quando vejo a comparação do Erick a eras tenebrosas, acho que isso é um erro também com ele, porque o Erick não é um cara do mal, o Erick é um progressista, o Erick não tem processo que teve desvio de recurso… O Erick é um cara do bem.”
Na última quarta-feira (4), Erick e os demais membros da chapa eleita voltaram atrás e renunciaram à eleição, após reunião no gabinete da presidência. O ato de anulação do pleito foi publicado nesta segunda-feira (9). Marcelo também revela detalhes de bastidores dessa reviravolta. Confira a segunda e última parte da entrevista do deputado: