Quantos deputados possui o
PSL, hoje, na
Assembleia Legislativa? Oficialmente, quatro. Foi o número de candidatos eleitos pelo (ainda) partido do presidente
Jair Bolsonaro para o Legislativo do Espírito Santo na eleição de 2018, o que deu à sigla a maior bancada da Assembleia. Mas o presidente estadual do PSL,
Carlos Manato, tem uma resposta diferente para essa pergunta: para ele, na prática, a bancada do partido na Casa só tem, hoje, três integrantes. Manato já não conta com o Coronel Alexandre Quintino.
“Não conto, não. Ele não segue as orientações partidárias. Nem as que consideramos ‘cláusulas pétreas’. Um exemplo foi a votação do Escola sem Partido na Assembleia. Ele tinha assumido um compromisso conosco. Mas, na hora da votação, saiu do plenário e não votou. Então não podemos mais contar com ele.”
Conforme analisamos aqui no dia 26 de outubro, Quintino de fato tem feito movimentos e declarações dissonantes do que seria de esperar de um “típico deputado do PSL”. Apesar de ter sido eleito pelo partido de Bolsonaro – o qual abrigou muitos candidatos, como ele, oriundos de forças militares –, o coronel da reserva da
PMES não tem se posicionado como um soldado-padrão do bolsonarismo. Ao contrário. Quintino tem se mostrado muito mais próximo do governador
Renato Casagrande (PSB) –
autodeclarado um líder de centro-esquerda – do que do próprio partido, em votações e posicionamentos públicos.
Já não há o menor clima para a permanência de Quintino no PSL. Nesta semana, a relação entre ele e Assumção – ambos participantes da greve da PMES em 2017 – ficou tão ruim que os dois travaram disputa pública pela autoria de indicações ao governo em benefício das tropas. Segundo a assessoria de Assumção, Quintino estaria roubando ideias do colega, o que ele nega.
Tem direito, mas não pretende fazê-lo. É o que assegura o próprio Manato. Na verdade, o dirigente do PSL escancara as portas de saída para Quintino e propõe um “divórcio amigável”.
Segundo Manato, Quintino assumiu compromissos com o governador e “está cheio de cargos no governo, em Ciretrans na região do Caparaó”. O deputado nega isso.
Resta um detalhe, porém: quando um não quer, dois não se divorciam. Apesar de tudo, Quintino não quer deixar o PSL: “Estou muito bem no meu partido. Não tenho pretensão de sair”.
O PSL pode até não requerer o mandato por infidelidade, mas a ação de cassação também pode ser movida pelo Ministério Público e pelo 1º suplente da coligação, Devanir Ferreira (Republicanos).