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Moradora da Serra

Mulher vence câncer, perde braço e diz: "No muay thai vi que sou forte"

Maristela Siquera tem 43 anos e enfrentou cânceres de pulmão e Sarcoma de partes moles, sendo que este levou a uma metástase, que ocorre quando há migração das células cancerosas para outras partes do corpo

Publicado em 16 de Maio de 2019 às 18:06

Isabella Arruda

Publicado em 

16 mai 2019 às 18:06
Maristela encontra forças no Muay Thai Crédito: Arquivo pessoal
"Todos os dias acordo para vencer. Quero estar sempre disposta e acredito que posso, não me deixo abater por nada, sabe? Quero passar coisas boas para os meus filhos". Com essa filosofia de vida, e com o apoio que encontrou no Muay Thai, Maristela Siquera, 43 anos, enfrentou cânceres de pulmão e sarcoma de partes moles, sendo que este levou à retirada do braço direito e a uma metástase, que ocorre quando há migração das células cancerosas para outras partes do corpo.
Antes recepcionista e sedentária, Maristela contou que precisou reaprender diversas atividades para que pudesse praticá-las usando o braço esquerdo, desde as mais simples, como o ato de se alimentar, até a de andar de bicicleta sem perder o equilíbrio. Há mais de um ano ela também começou a praticar Muay Thai, após conhecer o esporte por intermédio do filho mais velho, de 13 anos. Triplamente lutadora, o esporte favoreceu o desenvolvimento da auto-estima.
Ela contou que inicialmente praticou natação. "Eu comecei levando meus filhos para a natação, nadando na piscina pequena com Mateus e logo comecei a gostar, já que nadava muito bem com um braço só e isso causava impacto positivo nas pessoas. Fui então convidada pela amiga do meu filho a conhecer o Muay Thai. No decorrer do tempo fui me interessando pela adrenalina e pelo desgaste físico gostoso e quis experimentar por mim mesma", explicou.
A mineira tomou coragem e deu o primeiro passo. "Meus filhos saíam alegres e gastavam muita energia. Foi quando perguntei à professora se eu poderia praticar o esporte também e ela me incentivou. Quando entrei, senti uma superação muito grande. A atividade exige muita concentração e força física, foi um presente para mim. Eu me sentia muito pressionada e lá extravasava a tensão, chegava em casa disposta e calma. Meu dia a dia é corrido, as vezes nem acredito em tudo que consigo fazer. Se eu pratico o Muay Thai, sinto que consigo fazer tudo", disse.
A TRAJETÓRIA
Em virtude do Sarcoma, a moradora de Jardim Tropical, no município da Serra, realizou, inicialmente, uma cirurgia na mão. Depois de um ano e meio, com o braço atrofiando aos poucos e muita dor, Maristela precisou ser submetida a novo procedimento para a retirada do braço direito, cerca de quatro anos atrás. "Uma médica conversou comigo e disse que era melhor tirar o braço, mas isso não me afetou muito. O importante para mim era viver, fiquei até animada, queria criar meus filhos, Rafael e Mateus. Fiz quimioterapia, doei meu cabelo cacheado que eu amava, mas já cresceu de novo", revelou a mineira.
"Eu era destra e fui perdendo o movimento do braço direito aos poucos e passando as tarefas para o esquerdo. O membro direito já não tinha sensibilidade, me queimava e não percebia. Primeiro tirei o dedo, depois o braço. No dia a dia eu fui me adaptando. Meu filho mais velho, Rafael, me ajudava muito. Aprendi até a usar a vassoura com um braço só, a cozinhar, inclusive sob encomenda. Meus bolos são deliciosos!", contou orgulhosa.
Maristela acrescentou que engravidou do filho mais novo, de oito anos, após perder o dedo e que a fonte de força dela diante de todos os desafios da vida foi a fé. Segundo ela, o médico havia chegado a sugerir a interrupção da gravidez de alto risco pelas necessidades de tratamento severo de saúde, o que foi imediatamente refutado. "Eu preferia ter o Mateus. Ele veio como o nome sugere, é um 'presente de Deus'. Meus filhos nunca perceberam tristeza, quase nunca notaram que me falta um braço", concluiu.
NOVOS DESAFIOS
Maristela, diante de grandes obstáculos, prova, todos os dias, que é possível vencer. De acordo com ela, a maior meta é se superar sempre: cuidando dos filhos, das tarefas domésticas e enfrentando os exames médicos de controle. No caso mais recente, sofreu um câncer nos dois pulmões e não desistiu. Mesmo nos momentos de crise, não perdeu o fôlego e continuou praticando Muay Thai.
"Quando descobri o câncer de pulmão foi através do programa da Ana Maria Braga - com o qual sonho em um dia participar -, que tratou de um exame que acabei fazendo. Na época eu já praticava esporte, tinha uma vida ativa e não sentia nada de anormal. Mas estava com cinco nódulos no pulmão direito e seis no esquerdo. O médico me acompanhou e disse que no momento certo operaria, nem assim parei o Muay Thai. No dia da primeira operação me afastei e o resultado foi um sucesso. Com dois meses fiz a segunda cirurgia e com cinco meses já estava lutando de novo, com força total e cuidando de tudo", expressou.
SONHOS
A mãe, esposa e guerreira revelou ainda que sempre teve a ambição de andar de moto e que um dia pegou a do esposo e aprendeu a pilotar. Infelizmente, logo quando estava apta a tirar a carteira, precisou retirar o braço em virtude do câncer. Hoje conta que converteu a vontade no hábito de andar de bicicleta e que, com o ciclismo sente uma liberdade sem igual. "Além do Muay Thai e da bike, adoro nadar e dançar. Sou uma pessoa muito feliz", expressou.
Para se realizar ainda mais, a ativa Maristela decidiu também fazer bolos para vender e contou que foi mais uma superação na vida dela, já que cozinhar com apenas um braço e sem usar batedeira torna a atividade ainda mais digna de aplausos dos clientes. E ela não esconde a satisfação, foi logo dizendo que os bolos dela são inesquecíveis. 
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