A insegurança vivida pelos moradores do Condomínio Ourimar, na Serra, mostra que a violência assume proporções cada vez maiores na sociedade capixaba. Reportagem de Glacieri Carrareto, publicada em A GAZETA do dia 9, revela que o local, onde moram duas mil pessoas em 608 apartamentos, convive com regras impostas por traficantes desde 2016, quando as habitações foram entregues. Somente no ano passado, 48 famílias, ameaçadas por traficantes, foram obrigadas a se mudar. Os moradores dizem estar sob vigilância do tráfico todo o tempo.
Ninguém ignora que o caso do Ourimar é um entre muitos outros bairros da Região Metropolitana que sofrem com a violência que, na maioria das vezes, tem origem no tráfico. Novamente utilizando o Ourimar como exemplo, entre maio e novembro foram registrados sete assassinatos relacionados ao tráfico de drogas. Entre os mortos estavam dois chefes do tráfico e um “gerente”, aquele que controla os “soldados”, que são os que matam. Registre-se que a Grande Vitória concentra a maior parte dos assassinatos ocorridos no Estado (57%) e estão situados no município da Serra cinco dos dez bairros mais violentos da Região Metropolitana.
Quando explodem os casos de violência, é comum surgirem críticas à política de segurança pública. O caso do Ourimar, contudo, demonstra que o problema poderá ser minimizado desde que surjam esforços de todos os envolvidos na situação. Lá, um grupo de trabalho formado pela prefeitura, polícias Civil e Militar e Ministério Público busca integrar iniciativas que contribuam para reduzir a insegurança da comunidade. Neste sentido, estão sendo gestados projetos sociais na área de educação profissionalizante, a instalação de câmeras de videomonitoramento, a retirada do comércio clandestino, a melhoria do transporte público e a intensificação do policiamento.
É ingenuidade imaginar que o grupo de trabalho sozinho resolverá todos os problemas de violência do Condomínio Ourimar. Mas é razoável supor que é possível, com a mobilização integrada dos agentes interessados, obter melhorias nos índices de segurança na sociedade. Foi assim – com ações integradas de várias instituições – que o Espírito Santo registrou sete anos sucessivos (de 2010 a 2016) de queda na quantidade de homicídios. E tudo leva a crer que, se não fosse a greve da PM em fevereiro, os homicídios teriam se reduzido também no ano passado.
A questão da violência na sociedade contemporânea é complexa e está longe de ser resolvida. Mas, com certeza, compreender que se trata de um problema a ser enfrentado por todos já é um bom começo.
*O autor é jornalista