Ao escrever este texto sobre turismo – ou melhor – sobre o atraso do Brasil na indústria do turismo, constatei (por coincidência), que fazem exatos oito anos que assinei artigo neste jornal sobre o mesmo tema. Na ocasião (07/01/2012), sob o título “Contramão do turismo”, ressaltei o nosso decepcionante desempenho nessa importante atividade econômica.
Lamentavelmente, o Brasil continua na contramão do turismo. Se naquela ocasião ocupávamos uma vergonhosa posição no ranking do turismo mundial, praticamente nada mudou. O próprio presidente da Embratur sentenciou: “O Brasil recebe menos turistas por ano do que o elevador da Torre Eiffel”. Acrescento: menos do que Cancún, do que a Argentina e até do que o complicado Irã.
Este paradoxo, em face do imenso potencial turístico do Brasil, comprova que os nossos governantes ainda não se deram conta do significado econômico do turismo.
É certo que temos problemas, como deficiência na área de transportes e a violência urbana. Mas outros países, como o México, também os têm e, mesmo com menos potencial turístico, estão muito na nossa frente.
Mas quais as principais razões de não avançarmos no turismo? Principalmente, falta de uma clara percepção do significado econômico deste setor e de vontade política para dinamizá-lo. Países que têm o turismo como um forte componente da sua economia implantaram políticas e modelos de gestão voltados para lhes proporcionar o máximo proveito desse setor.
São, em grande parte, estratégias que não exigem grandes investimentos, mas que proporcionam um considerável incremento na ampla cadeia de atividades geradas pelo turismo.
Neste Brasil pós-crise, e ainda com tanto desemprego, apenas três medidas poderiam proporcionar um substancial incremento na nossa indústria do turismo; e a geração de milhares de novos postos de trabalho. Refiro-me, basicamente, ao que é praticado em quase todos os países que tratam o turismo como uma atividade essencial para as suas economias.
A primeira seria a mudança deste nosso anacrônico calendário escolar, que estabelece o início das aulas em 1º de fevereiro, subtraindo um mês da alta temporada turística, auge do nosso verão. Uma perda jamais admissível nos países em que a indústria do turismo é tratada com competência e onde a conciliação das férias escolares com a alta temporada turística é sempre adotada. Por que não estendemos o ano letivo até o meado de dezembro e iniciamos as aulas em 1º de março, como era no passado?
A segunda importante medida seria a regulamentação dos cassinos nas principais cidades turísticas, atividade altamente propulsora da cadeia de serviços abrangida pelo turismo, medida há anos cogitada e que não avança no Congresso Nacional. E a terceira seria o estímulo à construção de resorts litorâneos, com redução da burocracia na obtenção de licenças ambientais.
O governo federal prometeu dobrar o número de turistas estrangeiros até 2022. Acho muito difícil. Mas com um bom choque de gestão e muita determinação, quem sabe?