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Sonho da casa própria

Minha Casa, Minha Vida foi responsável por quase metade das vendas de imóveis no 1º trimestre

Levantamento realizado pela CBIC analisou dados de 221 cidades brasileiras no período

Publicado em 02 de Junho de 2026 às 12:13

Yasmin Spiegel

Publicado em 

02 jun 2026 às 12:13
Condomínios Minha Casa Minha Vida
Minha Casa Minha Vida vendeu mais de 54 mil unidades no primeiro trimestre de 2026 Créditos: Reprodução

O programa Minha Casa, Minha Vida se mantém como principal motor do mercado imobiliário brasileiro, sendo responsável por 49% das vendas no primeiro trimestre de 2026, com 54.510 unidades vendidas no período. Os dados foram divulgados na última semana como parte do levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) sobre indicadores imobiliários nacionais. 

Com estoque estimado em 7,6 meses, o programa segue em ritmo saudável e atua como âncora da demanda popular, afirma o relatório. Em termos percentuais locais, o Norte tem a maior participação do programa na oferta total de imóveis (52%), enquanto o Sul tem a menor (17%).

As informações foram colhidas em 221 cidades, incluindo as 27 capitais e respectivas regiões metropolitanas.

Para o vice-presidente financeiro da CBIC, Eduardo Aroeira, os números reforçam a importância da política pública no combate ao déficit habitacional. “O Minha Casa, Minha Vida vem cumprindo o seu papel de tornar realidade o sonho da casa própria para milhões de brasileiros. Ao longo do tempo, vem se mostrando como grande impulsionador da indústria da construção, representando a metade do mercado imobiliário residencial”, pontua.

Lançamentos

Entre o início de janeiro e o fim de março deste ano, foram lançadas 97.802 unidades residenciais que se enquadram no programa, uma redução se comparado com o primeiro trimestre de 2025 de 4,9%. A diferença é maior se comparada ao 4º trimestre de 2025, com redução de 32,1%. Historicamente, o último trimestre de cada ano costuma ser o que tem maior quantidade de lançamentos.

Embora o dado geral tenha apresentado retração, houve forte expansão no Centro-Oeste no período, com crescimento de 38,3% no número de lançamentos na região, melhor desempenho no país.

Segundo o diretor de economia do Secovi-SP, Celso Petrucci, a queda de lançamentos já era esperada, dada a sazonalidade do mercado imobiliário, que costuma concentrar muitos lançamentos no fim do ano, e que o pequeno recuo das vendas não é motivo de preocupação. “Houve uma redução de 2,6%, o que, no contexto atual, consideramos que é praticamente uma estabilidade em relação ao trimestre anterior”, afirma.

Vendas em alta

O levantamento ainda apontou que o número de unidades vendidas cresceu na maior parte do Brasil, apesar da redução de lançamentos. Apenas a região Sul teve recuo nas vendas, com 0,05% menor do que o mesmo período do ano passado. No acumulado dos últimos 12 meses, foram comercializadas 438.012 unidades, com o Sudeste respondendo por mais da metade deste número (223.670).

O comparativo entre as unidades vendidas e o valor geral de vendas (VGV) cresceu 0,5% em relação a 2025, atingindo R$ 65,9 bilhões. A oferta final teve uma elevação mais expressiva, de 8,2%,com 350.891 unidades disponíveis. Considerando a média dos últimos 12 meses, se não houvesse novos lançamentos, a oferta final se esgotaria em menos de 10 meses.

O levantamento também ouviu pessoas quanto à intenção de compra de imóvel nos próximos dois anos. Ao todo, 49% dos entrevistados declararam interesse na compra, sendo as casas em rua o principal tipo de imóvel pretendido (47%), seguido de apartamento (35%).

Deixar de pagar aluguel é apontado como principal motivo para a compra (38%), seguido de sair da casa dos pais (12%) e mudança de localidade (8%). 

“O Minha Casa, Minha Vida passou por uma reformulação recente em que houve aumento nas faixas de renda e no valor máximo dos imóveis. Isso tem potencial de aumentar ainda mais a participação do programa no mercado imobiliário”, avalia o vice-presidente de Habitações de interesse social da CBIC, Clausens Duarte.

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