Sair
Assine
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Verdadeiro lar

Crônica: Seja amor

Nosso lar não é o coração de outra pessoa e também não é nossa cidade preferida: fica dentro de nós mesmos

Publicado em 14 de Julho de 2024 às 10:00

Publicado em 

14 jul 2024 às 10:00
Maria Sanz

Colunista

Maria Sanz

Não é sobre ser amado. É sobre ser o amor.
Ao contrário do que nos ensinaram, nosso lar não é o coração de outra pessoa. 
Também não é nossa cidade preferida, nem a casa que construímos, nem qualquer outro lugar fora da gente. Nosso verdadeiro lar, com fogo aceso, chaminé e cadeira de balanço na varanda, fica dentro de nós mesmos. 
Ainda que haja feridas, cicatrizes e traumas, somos capazes de nos tornarmos o grande amor de nossas vidas. 
Esse texto é sobre isso.
O caso é que precisamos compreender a nossa relação com a Vida, essa com “v” maiúsculo. 
Ela que é altamente erótica, uma potência que nos atravessa a cada pulsação e a cada inspiração, mas acaba sendo menosprezada pelos afazeres do dia a dia. 
Aliás, é este menosprezo o maior dos perigos: acreditar que a vida é uma série de tarefas a serem cumpridas até o fim da linha. 
Porque também é neste engodo que a ideia do “grande amor” reside como uma tarefa: “encontrar” alguém que nos ame, de preferência até mais que nós mesmos. 
Nessa corrida em busca do outro, atuamos para impressionar, atrair interesse e adquirir valor, mesmo que ao custo de nos perdermos da gente. Perseguir a completude do lado de fora implica necessariamente em perder a bússola de ouro que habilita a navegação para o lado de dentro. E assim, fingindo ser quem não somos, sem querer, vamos nos tornando cada vez mais iletrados de quem poderíamos ser. 
E a vida passa.
Seja amor, liberdade, autocuidado
O grande amor da sua vida é você Crédito: Shutterstock
A verdade é que o jogo civilizatório nos esculpe “para fora”, e terceiriza nossos corpos e nossa energia para uma “ilusão funcional” que nos faz sentir úteis, adequados ou encaixados, enquanto nos  desconecta da nossa alma. 
Isso mesmo: alma! Nossa porção infinita, essa que se sabe cósmica… Que compreende que a vida humana é finita, limitada pela morte. E que por isso clama pela vida! 
A alma ama. 
Por isso, aprender a deixar de desejar ser amado para se tornar o amor é se conectar com a alma que nos habita.
De novo, o grande amor da sua vida é você (posso repetir quantas vezes for preciso).
O roteiro fixo proposto e comandado pelo jogo diz que para sermos valorosos por aqui é preciso encontrar alguém, casar, ter filhos e viver “feliz para sempre”. E assim aprendemos todo tipo de contorcionismo, malabarismo e sacrifícios para sermos enfim “amados”, aceitos, valorados…
Desse modo, enquanto buscamos a “felicidade prometida”, a relação mais preciosa de todas, que é com a gente mesmo, vai para o buraco.
Falando em felicidade, acho importante lembrar que a felicidade é diferente da alegria. Perceba, a alegria é uma corrente elétrica, erótica, expansiva, corpórea e, ao mesmo tempo, divina! Já a felicidade é uma “ideia” que nos “ensinaram” perseguir.
Enquanto a alegria não engana, porque que atravessa o corpo, faz sentir prazer, expande e vitaliza,  a felicidade é uma lógica, uma construção moral, uma promessa que vem junto com o pacote do carro do ano, da roupa nova, do hotel de luxo, do “grande amor”…
Por isso, a alegria é sim uma grande guia!
Aprender os caminhos para conectar-se à ela significa construir uma relação saudável consigo mesmo, que é por sua vez, o que nutre todas a outras formas de amor que desejamos ter em nossas vidas: amizades valiosas, tesão pelo trabalho, paixão pela saúde e o amor romântico.
Portanto, celebre as pequenas alegrias. Celebre a vida. 
Ela é uma obra de cocriação entre a personalidade e a alma, e bem pode ser intima e magnífica. 
Perceba de onde vem a sua alegria e cuide para não deixar que te tirem, em troca do favor de ser amado, a conexão preciosa entre você e o que te vitaliza 
Seja o amor. 
Entregue-se ao amor em todas as suas formas. E nunca se esqueça de que existem inúmeras maneiras de desenhar a vida que queremos, e sobretudo, que nem todos estão aqui para viver o modelo tradicional de relacionamento. 
E tudo bem! 
Vou repetir: o importante é aprender a escolher o amor, no lugar de escolher ser um objeto de valor.

Maria Sanz

É artista e escritora, e como observadora do cotidiano, usa toda sua essência criativa na busca de entender a si mesma e o outro. É usuária das medicinas da palavra, da música, das cores e da dança

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

O clima de festa junina na Grande Vitória chegou de vez
Roteiro junino na Grande Vitória: dicas de passeios e arraiás para aproveitar a região
A jornalista Zileide Silva será a convidada da aula inaugural da 29ª edição do Curso de Residência
Zileide Silva abre 29ª edição do Curso de Residência com aula sobre jornalismo na era da desinformação
Imagem BBC Brasil
A troca de farpas entre Trump e Meloni por foto no G7: 'Nem eu nem a Itália imploramos nada. Trump inventou'

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados